segunda-feira, 31 de março de 2014

#50anosdogolpe - Porque Jango?


No dia 24 de agosto de 1954, morria o presidente Getúlio Vargas. Acompanhando a transferência de seu corpo estava João Goulart, que além de levar a carta testamento de Vargas trazia consigo sua herança política. Sobre esse assunto, sugerimos a leitura do livro "A Janga do Sul: Getúlio, Jango e Brizola" do autor Gilberto Felisberto Vasconcelos. 

“Fomentador de greves, articulador da luta de classes e inimigo do capitalismo”, Jango apresentava raízes nacionalistas e um extremo senso de Justiça social, como pode ser verificado ao analisarmos alguns trechos de seus mais famosos discursos:
"Hoje, com o alto testemunho da Nação e com a solidariedade do povo, reunido na praça que só ao povo pertence, o governo, que é também o povo e que também só ao povo pertence, reafirma os seus propósitos inabaláveis de lutar com todas as suas forças pela reforma da sociedade brasileira. Não apenas pela reforma agrária, mas pela reforma tributária, pela reforma eleitoral ampla, pelo voto do analfabeto, pela elegibilidade de todos os brasileiros, pela pureza da vida democrática, pela emancipação econômica, pela justiça social e pelo progresso do Brasil" (Discurso da Central do Brasil).
No auge da guerra fria e da histeria anti-comunista, ser nacionalista e apresentar a intenção de governar em prol das classes trabalhadoras já era o suficiente para ser enquadrado como Comunista. E justamente pelo receio de uma ‘’esquerdização’’ do país e seguidas reformas de base, a burguesia nacional-periférica brasileira articulou-se e tentou impedir a posse de Jango.

Essa tentativa de golpe foi bravamente enfrentada por Brizola na “Campanha da Legalidade”. Empunhando em uma das mãos uma metralhadora e na outra um microfone, Brizola passa a transmitir e idealizar discursos contra os golpistas e em prol da legalidade do governo de Jango. Frente a mobilização popular, Jango toma posse exaltando essa articulação e direcionando seu governo em prol dessa classes:
“Souberam Vossas Excelências resguardar, com firmeza e sabedoria, o exercício e a defesa mesma do mandato que a Nação lhes confiou. Cumpre-nos, agora, mandatários do povo, fiéis ao preceito básico de que todo o poder dele emana, devolver a palavra e a decisão à vontade popular que nos manda e que nos julga, para que ela própria dê seu referendum supremo às decisões políticas que em seu nome estamos solenemente assumindo neste instante” (Discurso de posse do Presidente João Goulart).
Para mais detalhes sobre o governo de João Goulart, sugerimos o documentário feito por Silvio Tendler, disponível no Youtube na íntegra:



Mas bem, porque Jango foi deposto? Dentre as diversas discussões historiográficas sobre o período, a melhor resposta é: Jango efetuaria uma nova independência do Brasil, colocando o progresso do País junto ao povo. 

As elites brasileiras não aceitavam que um líder de massas tocasse a frente um projeto de nação menos desigual e com o desenvolvimento do trabalho em detrimento ao capital. A direita então percebeu que as reformas estruturais propostas por Jango levariam a uma contradição irreconciliável com o modo de produção que os colocavam no topo da pirâmide. 

A campanha subterrânea dos grupos internacionais, que acreditavam e temiam a possibilidade do Brasil viram uma “Nova Cuba” aliou-se à mobilização das elites nacionais-periféricas. A lei de lucros extraordinários foi detida no congresso. Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. A Petrobras sofre com ondas de agitações. Estava montado o cenário. Essa articulação internacional feita pelos Estados Unidos ficará mais clara ao assistirmos o documentário dirigido por Camilo Galli, também disponível no Youtube, "O dia que durou 21 anos".



Após dez anos da tentativa de golpe e o suicídio de Getulio, as elites brasileiras em concluio com o imperialismo voltaram a depor um presidente. Aquele momento, em 1964, a situação, para elas, estava insustentável. O Comício da Central e as reformas de base tencionariam, de vez, o capitalismo dependente brasileiro. Nesse sentido, golpear o projeto nacionalista se fazia mais do que necessário pela direita Brasileira. A favor do golpe uniram-se os políticos da elite, militares conservadores e o imperialismo. Lembrar-se de João Goulart é deixar claro quem foram seus inimigos, os arquitetos da Ditadura, que ainda estão no poder em nosso Brasil. Que nunca foram retirados do poder econômico da nossa nação e que impedem qualquer mudança política em nosso Brasil.

domingo, 30 de março de 2014

#50anosdogolpe: Semana de Luta pela Memória, Verdade e Justiça


O dia 31 de Março deve ser sempre relembrado. Nessa data, um golpe militar foi deflagrado contra o governo democraticamente eleito de João Goulart, rompendo assim com um mandato que, além de buscar idealizar um novo projeto de nação, tinha como pretensão a justiça social que seria alcançada com as reformas de base do governo Janguista.

Em um país onde 91% das pessoas não conseguem atingir o ensino superior, uma reforma universitária se faz mais que necessária. A universidade precisa ser repensada, precisa se “pintar de negro e camponês” e servir como um meio do Brasil atingir sua autonomia.

Em um país onde os trabalhadores rurais encontram-se em miséria e grande parte das terras ou é improdutiva ou está nas mãos de grandes latifundiários, a reforma agrária é de extrema urgência e deve apresentar um caráter popular para que o acesso a terra seja garantido a todos aqueles que nela trabalham.
Em um país onde os níveis de concentração de renda e desigualdade social são extremos, as reformas de base são um dos meios capazes de reverter essa situação. Além disso, nesse momento, torna-se mais que urgente uma reforma política capaz de tornar os anseios e utopias das classes mais baixas em realidade.

Nessa conjuntura, por que teríamos que relembrar essa data obscura? Deve-se relembra-la com a intenção de retomarmos, cada vez mais, o fio da história que foi interrompido pela ditadura militar. Nesse sentido, o dia 31 de Março deve ser um dia de luta: Um dia de lutar pela justiça social, um dia de lutar por uma democracia participativa, pelas reformas de base, por um projeto de nação mais igualitário e por uma nova independência do Brasil.

E num exercício de retomada desse fio da história e numa tentativa de lutar por um resgate da memória de nosso país, iremos idealizar, entre os dias 31 de março e 04 de abril, em nossas mídias sociais, uma série de postagens que se remeterão às pessoas que lutaram contra a ditadura.

Juntamente da rememoração virtual, o CAHIS-UERJ realizará uma série de eventos ao longo dessa semana, em com outros representantes do movimento estudantil, como o DAHIS-UFRRJ e CAMMA-UFRJ, e com o apoio de organizações como FEMEH, OAB-RJ, dentre outras, com o objetivo de discutir, sempre com olhar crítico, esse que foi o período mais sinistro da história de nosso país. Sendo assim, contaremos não só com especialistas no assunto, como os professores Oswaldo Munteal (UERJ) e Mathias Seibel Luce (PPGH-UFRGS), mas também com pessoas que viveram e lutaram contra a opressão desse período, como os guerrilheiros da ALN e da Guerrilha do Caparaó, a verdadeira história viva da resistência. Organizaremos também uma mobilização para o ato contra a comemoração do golpe no Clube Militar do Rio de Janeiro. 

Para que não se esqueça! Para que nunca mais aconteça!

quarta-feira, 26 de março de 2014

Oportunidade: Vaga de Estágio

Edital e divulgação da vaga de estágio, a pedidos do professor Dezemone.




Calendário de Lutas de Março e Fevereiro - 50 anos do Golpe Militar

Com a propositiva de promover o conhecimento crítico acerca de um dos momentos mais obscuros do Brasil, lançamos um Calendário de Lutas Unificado, que conta com debates, cine-clubes, oficina de faixas e cartazes e atos públicos, em diversos locais do Rio de Janeiro, incluindo as universidades, a fim de resgatarmos a memória do nosso país.

Segue a programação completa, incluindo não só as atividades organizadas e realizadas pelo CAHIS na UERJ, mas também pelo DAHIS na UFRRJ e pelo CAMMA na UFRJ, além de outras atividades. 




terça-feira, 25 de março de 2014

Apresentação: 50 anos do Golpe Civil-Militar


50 anos do golpe civil-militar: 
Para que não se esqueça. 

Para que nunca mais aconteça 
“O cano do fuzil

Refletiu o lado ruim do Brasil
Nos olhos de quem quer
E quem me viu, único civil
Rodeado de soldados
Como se eu fosse o culpado
No fundo querendo estar
A margem do seu pesadelo
Estar acima do biótipo suspeito
Endossando a impunidade
A procura de respeito”.

Tribunal de Rua. O Rappa. 
Na próxima semana completar-se-á 50 anos do golpe civil-militar que instaurou uma ditadura sanguinária no nosso país, ditadura esta que contribuiu para a implementação de outras ditaduras por toda a América Latina aprofundando assim a dependência dos países periféricos aos interesses do capitalismo central. Este processo rompeu com a possibilidade de êxito das Reformas de Base que tornariam nosso país uma Nação soberana e pautada pela justiça social. 

Relembraremos, em memória dos que lutaram, os fatos que desencadearam no Golpe civil-militar de 1964, analisaremos os 21 anos de repressão e a resistência armada a este regime, além de problematizarmos os resquícios que ainda estão enraizados em nossas Instituições ditas democráticas, resquícios impostos pelos militares e pelos civis que apoiaram o regime no processo de “redemocratização”. 

Com a propositiva de promover o conhecimento crítico acerca de um dos momentos mais obscuros do Brasil, lançamos um calendário de lutas que contará com debates, cine-clubes, homenagens aqueles que lutaram e resistiram, oficina de faixas e cartazes e atos públicos, a fim de resgatarmos a memória do nosso país. 

Organização: 

CAHIS UERJ | DAHIS UFRRJ | DCE UERJ 


Apoio: 
NUCLEAS | MUN | SINTUPERJ | ASDUERJ | 
CAMMA UFRJ |CDH – OAB-RJ | DCE Rural | FEMEH

Evento no Facebook:

sexta-feira, 21 de março de 2014

CAHIS Convida: Mutirão de Limpeza e Pintura da sede do CAHIS


Quem frequenta a sede do CAHIS sabe que esse espaço é bastante importante para xs alunxs, não só por ser mais um dos nossos espaços de discussão, mas também por ser um espaço de socialização e claro, diversão e relaxamento enquanto a aula não começa ou quando o professor te deixa na mão e não vai dar aula. 

Uma das principais propostas da Gestão Filhos da Pública sempre foi a valorização desse espaço, assim como dos outros espaços comuns da graduação. Isso nos encaminha pra questão da valorização da graduação como um todo, que vai muito além das questões curriculares e cientificas, chegando justamente a essa questão estrutural. 

Já demos alguns passos em relação a reforma estrutural, com a instalação do ar condicionado e a retirada do quadro antigo. Mas ainda faltam algumas coisas.

Por isso estaremos fazendo amanhã nosso ''Mutirão de Limpeza e pintura do CAHIS". Limparemos e começaremos a renovar a pintura da nossa tão querida sede!

Contamos com a presença e participação de todxs os alunxs que utilizam o espaço e entendem a importância da reforma do mesmo para o nosso curso! Acreditamos que essa participação seja importante para que o a manutenção e a limpeza sejam mantidas futuramente, por todos aqueles que sabem que fazem parte e utilizam o espaço. 

Quem quiser chegar junto, fique a vontade! 

(Para quem está chegando agora, a sede do CAHIS fica no nono andar mesmo, no mesmo local onde fica a Xerox do Denilson e a lanchonete)


quinta-feira, 20 de março de 2014

CAHIS Informa: Material dos Cotistas 2012

ATENÇÃO ALUNOS COTISTAS!

O MATERIAL DE 2012 JÁ ENCONTRA-SE DISPONÍVEL NA SALA DO IFCH (BLOCO B – SALA 9020) ATÉ O DIA 21/03/2014.

ALUNOS DO TURNO DA NOITE, FAVOR PROCURAR OS MEMBROS DO CAHIS VISTO QUE O IFCH ENCONTRA-SE FECHADO NESSE PERÍODO DA NOITE.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Opinião: Sobre a necessidade de se refletir e repensar os trotes



O CAHIS-UERJ, entre os dias 8 e 15 de março, realizou, através de suas mídias sociais, a Semana de Luta das Mulheres. Este evento, assim como os Grupos de Discussão que serão realizados ao longo deste ano, são medidas pensadas para que se reflita a questão das opressões que vivenciamos na nossa sociedade. Esses eventos fazem parte de uma nova postura pedagógica adotada pelo CAHIS visando tornar tais discussões mais presentes no âmbito universitário.

Infelizmente, ano após ano, o trote universitário, que deveria ser um momento de socialização e de contato dos calourxs com os demais alunxs, torna-se um espaço de reprodução das práticas machistas, homofóbicas e racistas já enraizadas em nossa sociedade. Esse viés precisa ser combatido, através da reflexão e da discussão, para que trotes como de ontem, programado e realizado por alguns veteranxs da manhã, não voltem a acontecer jamais.

É importante que aquelxs que se sentem oprimidxs e incomodadxs com situações desse tipo se levantem e manifestem suas opiniões, assim como o CAHIS, como entidade representativa dos estudantes de História, se posicionou anteriormente, em nota publicada no blog do CAHIS e reitera sua posição. 

No mais, pede-se que todxs, calourxs e veteranxs, fiquem atentxs a qualquer conduta opressora que possa vir a se perpetuar não só nessa semana, mas na Universidade como um todo. Pedimos também que participem dos nossos espaços de discussão. RACISMO, MACHISMO, HOMOFOBIA, NÃO PASSARÃO!

domingo, 16 de março de 2014

Opinião: Sobre o trote


No início de todo ano letivo das mais diversas universidades do país, seja ela pública ou privada, acontece uma prática muito comum, ora perigosa ora até inofensiva, que em determinados momentos ganha destaque na mídia, o trote, prática recorrente desde os tempos da Idade Média europeia, já há algum tempo vem trazendo dores de cabeça e divergências tanto para os estudantes universitários, professores e órgãos da administração universitária.

Comumente justifica-se a prática do trote como uma “iniciação”, “um rito de passagem” do calouro que está entrando num determinado curso da universidade e saindo do ensino médio, ou também uma forma de socialização entre os calouros e os veteranos do curso. O calouro que está entrando na universidade “em tese” através do trote, poderia se socializar e conhecer seus veteranos e os mais diversos espaços da universidade, sendo assim se integrando ao espaço universitário.

Essa lógica seria muito bonita se não ficasse apenas na teoria, o que acontece muitas vezes na realidade são práticas degradantes, desmoralizadoras e violentas, sem contar que em grande parte dos trotes existe claramente a prática do machismo, da homofobia, do racismo e do preconceito de classe. É verdade também que existem “trotes” mais “elaborados” e com um objetivo de uma real introdução na comunidade, como por exemplo o trote social, onde veteranos e calouros praticam alguma ação positiva, como doar sangue, limpar a redondeza, etc, recentemente teve até o episódio de pintura corporal, onde veteranos pintavam verdadeiras obras de arte nos calouros.

Não obstante, as práticas degradantes acontecem em geral de forma muito recorrente, como por exemplo, na UFMG, em 2013, onde veteranos do curso de direito pintaram os calouros de preto e os amarravam com uma plaquinha, com o nome de “escravo do veterano x”, mostrando claramente um racismo embutido no trote. Quem nunca ouviu falar de trotes machistas e misóginos, como exemplo fazer com que calouras fingirem que estão praticando sexo oral em algum objeto, ou mesmo fazendo perguntas de cunho privado em público. Como também podemos ver práticas de homofobia, muitas vezes pelo fato do calouro ser gay, sofrer certa discriminação. Esses exemplos fatídicos estão aí para qualquer um ver, basta pesquisar e observar todo inicio de ano letivo. Muitos podem afirmar que o trote é opcional, ninguém é obrigado a fazer, todavia temos que entender que os calouros de certa forma se sentem “coagidos” a participarem, pensam que serão excluídos ou mal vistos, e acabam participando do trote.

Temos que defender sim a integração dos novos alunos dentro da comunidade universitária, mas de forma sadia e inteligente, como elaborando palestras, conversas, até mesmos festas, nada que possa constranger o calouro. E temos sim de combater todas as práticas machistas, homofóbicas e racistas dentro da universidade, lembrando que uma “simples” brincadeira carrega uma carga ideológica muito grande. Ademais, podemos e devemos contribuir para uma universidade melhor e mais participativa.

Sejam bem-vindxs, calourxs de 2014!

Programação da Calourada de História - 2014


Apresentação da Calourada de História 2014 - A Historiografia Marginalizada


O CAHIS-UERJ convida a todxs para a Calourada de História, que ocorrerá nos dias 19 e 20 de março, tendo como tema “A Historiografia Marginalizada”, abordando, principalmente, História de Gênero e a História Étnico-racial!

Visamos com este evento, aprofundar a discussão a respeito das opressões sofridas por esses grupos na sociedade e como isso reflete na ausência de espaço dessas temáticas na Historiografia Oficial. Queremos também propor a desconstrução de paradigmas e preconceitos persistentes tanto no senso comum, quanto na historiografia, trazendo mais visibilidade para estes personagens que foram largamente silenciados ao longo da História.

Falar sobre a Historiografia Marginalizada é debater qual é o papel dos negros, dos índios, das mulheres e demais grupos oprimidos em nossa Historiografia. Infelizmente as opressões sociais sofridas por esses grupos refletem na Universidade, na construção do conhecimento, onde estes também são oprimidxs: em nosso currículo de História, de caráter eurocêntrico e colonizado. Esse debate, propondo mostrar o outro lado da História, será muito frutífero para xs calourxs, que terão a oportunidade de ter contato com a Historiografia Brasileira, silenciada nas salas de aula e que propõe algo a mais do que ser uma cópia de intelectuais estrangeiros (europeus e norte-americanos) com pouca aplicabilidade para a realidade da sociedade brasileira. Através de mesas e exibição de filmes, convocaremos os participantes, especialmente xs calourxs, a refletirem sobre questões constantemente colocadas à margem pela sociedade de maneira geral, sendo a academia um dos principais meios reprodutores dessas omissões. 

Por isso, a mesa que dará início aos trabalhos da Calourada 2014, intitulada “O que é história e a função social do historiador”, terá como objetivo introduzir um pouco do que se trata o campo científico pelo qual todos nós do curso de história optamos por cursar e, mais ainda, levantar os primeiros questionamentos de muitxs sobre a importância que os historiadores têm para com a sociedade, além, é claro, da função e da responsabilidade política-pedagógica que carregamos com nossa profissão. Acreditamos que esta atuação deva existir através de uma lógica de saber não mercantilizada, capaz de formar pessoas com senso crítico, e que seja catalisadora de mudanças sociais que permitam a existência de uma sociedade mais igualitária para todxs. Acreditamos que, atualmente, e carregando um ranço da ditadura civil-militar, a universidade brasileira segue uma lógica tecnocrata e mercantil, que visa formar, além de mão de obra, uma ideologia para abastecer e sustentar a sociedade burguesa, esquecendo que a verdadeira função social da universidade deveria ser implantar suas práticas profissionais ao seio do povo, contribuindo para sua independência e autonomia econômica e intelectual. 

No dia 20, durante o horário da manhã, será realizada a mesa "Historiografia de gênero", que contará com a presença de Waleska Aureliano de Araujo, antropóloga especialista em saúde da mulher. Em sua fala, a professora problematizará através de um viés histórico, como o campo da medicina foi por muito tempo um grande responsável por criar pares contrastantes em relação aos conceitos de “corpo”, “gênero” e “sexo”, que acabavam por hierarquizar esses polos, dando “fundamento cientifico” para discriminações já tão enraizadas na sociedade. A mesa contará também com o escritor, psicólogo, ativista dos direitos humanos primeiro trans* homem operado do país e grande militate da visibilidade trans* no Brasil, João W. Nery, que estará lançando e autografando seu mais recente livro, “Viagem Solitária”, durante o evento. Qualquer demonstração de machismo, homofobia ou transfobia deve ser encarada como uma das atitudes mais destrutivas presentes em nossa sociedade, e que estão, infelizmente, profundamente arraigadas em nossas estruturas sociais. Cabe a cada um de nós se conscientizar, se empoderar e desconstruir todos os dias os paradigmas que sustentam não só as opressões ligadas a gênero ou à sexualidade, mas também todas as outras, afinal, todas as opressões estão interligadas.

Finalmente, no período da noite, será realizada a mesa "Historiografia Étnico-racial", umas das temáticas mais importantes e delicadas em um país que ainda tem que lidar com as consequências de quase quatro séculos de racismo institucionalizado e de cultura escravista. Vivemos em uma conjuntura em que diariamente somos bombardeadxs com manchetes tratando de tensões cada vez mais violentas entre grupos étnico-raciais, onde o grupo historicamente mais explorado e marginalizado é sempre o que acaba prejudicado. Assistimos as terras e os direitos humanos dxs indígenas originárixs serem deliberadamente usurpados em prol de “mega eventos” capitalistas, que apenas reiteram um modelo de “cidade negócio” completamente inviável e inacessível às camadas populares. Vemos debates a respeito do falido sistema carcerário brasileiro e sobre mudanças no atual código penal (redução da maior idade), quando esses artifícios punitivos não passam de ferramentas racistas higienizadoras. Nós, estudantes da rede pública, vivenciamos todos os dias os resultados positivos que políticas públicas amplas e compensatórias a um momento nefasto de nossa história são importantes para a inclusão de populações historicamente excluídas, especialmente em espaços de discussão e produção de saber, como a universidade. Contaremos com a presença de Meslissa Carvalho Gomes, cujo trabalho se dirige ao estudo da literatura de autoria indígena e que poderá dividir conosco seus conhecimentos acerca da questão indígena, de maneira mais geral, e Claudia Calmon, cujo trabalho apresenta reflexões acerca das representações do negro na sociedade brasileira e o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio.

Ainda contaremos com duas atividades no período da tarde, em ambos os dias. Durante a tarde do dia 19, teremos um mini-curso com o mestre em História Política pela UERJ e professor do Colégio Pedro II, Roberto Santana, tratando de um dos assuntos que mais podem vir a confundir x ingressante no curso superior de história, que são as diversas correntes historiográficas possíveis de serem adotadas na produção historiográfica. Esperamos que o mini-curso esclareça e prepare melhor xs calourxs para os períodos que virão. Já na tarde no dia 20, haverá a exibição do filme “Nós que aqui estamos por vós esperamos”, de 1999, dirigido por Marcelo Masagão, uma espécie de versão filmada de a “Era dos extremos” de Eric Hobsbawm, um verdadeiro giro pelo marcos econômicos, políticos e culturais do século XX. 

Calourxs, lembrem-se de que esse evento é feito principalmente para vocês, para que tenham contato, desde o começo da vida acadêmica, com o que é, de fato, a Universidade. A participação de todxs é importante, mas não esqueça que esse evento é feito principalmente para você. Contamos com a participação de todxs!

*Os artigos definidores de gênero no texto foram substituídos por "x" não só para equalizar os gêneros, mas porque existem pessoas que não se identificam com a concepção binária de gênero, e essa é uma pequena forma de incluí-lxs na linguagem escrita.

sábado, 15 de março de 2014

#SemanadeLutadasMulheres - Cultura do Estupro e a Importância da Sororidade


Sétimo e último dia da #SemanadeLutadasMulheres do CAHIS. Finalizaremos nossa semana falando sobre Cultura do Estupro e a Importância da Sororidade.

Ao longo da semana, falamos sobre diversos assuntos: a intersecionalidade no feminismo, o feminismo negro, as mulheres indígenas, as trans* mulheres e o feminismo lésbico. Optamos por deixar para o último dia um dos assuntos mais complicados de serem trabalhados: a cultura do estupro e seus efeitos sobre o dia-a-dia das mulheres.  Como nos limita, nos violenta, nos segrega e nos dá regras e mais regras a serem seguidas.

Por que esse assunto é tão complicado? Porque a vivência é o que faz ver e sentir essa cultura dentro da nossa sociedade. E para vivenciar, você precisa ser mulher. Mas, você sabe o que é cultura do estupro? 
“Estou falando de uma construção cultural nojenta, destrutiva, que encoraja as mulheres a culparem a vítima, a se odiarem, a se culparem, a se responsabilizarem pelo comportamento criminoso dos outros, a temerem seus próprios desejos e a desconfiarem dos seus próprios instintos” - Lisa Jervis, sobre a Cultura do Estupro, no livro “Yes Means Yes” de Jessica Valenti e Jaclyn Friedman
Essa frase, de Lisa Jervis, nos da um panorama sobre o que seria a tal cultura do estupro. Mas para entender melhor, separamos alguns artigos e vídeos.
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Para explicar um pouco, indicamos um post que foi feito originalmente no site americano BuzzFeed ("What Is Rape Culture?") e posteriormente foi comentado por Vanessa Fogaça Prateano no site Gazeta do Povo ("Você sabe o que é a cultura do estupro?"). Ambos apresentam os sinais da cultura do estupro na nossa sociedade, como achar que "não" quer dizer "sim", culpabilizar as vítimas de estupro  praticar o "slut-shamming", criar regras de conduta para "prevenir" estupros e ensinar mulheres a não serem estupradas (como mostramos na nossa imagem de capa). Vale a leitura, bem simples e objetiva.
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Com a expansão dos meios de comunicação a popularização das mídias sociais, infelizmente a internet, como reflexo da sociedade em que vivemos, tornou-se também um meio de perpetuação da cultura do estupro. O texto de Carol Patrocínio "Cultura do estupro, medidas paliativas do governo e as redes sociais como espelho da sociedade" para o Yahoo mulher aborda justamente esse assunto, demonstrando a presença do estupro não só nas redes sociais, mas na mídia como um todo, através de propagandas como esta, do Governo egípcio:

"A cultura do estupro se dá quando a mídia, por exemplo, exibe anúncios em que mulheres são violentadas como se isso fosse algo normal. O site Business Insider lista, regularmente, anúncios que estimulam ou desqualificam a violência contra a mulher. Em um deles, do governo do Egito, representa a mulher por meio de um pirulito com plástico e outro sem, sendo atacado por moscas (representando o homem), com a seguinte frase: 'Você não pode parar (as moscas), mas pode proteger-se'" - Carol Patrocínio
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Mais dois textos sobre a cultura do estupro: um, da Revista Fórum, "Sobre a cultura do Estupro", fala sobre relações de poder e papéis de gênero reforçados pela cultura do estupro, além de comentar o combate a mesma. O outro, do site Cem Homens, por Letícia F., "Minha própria inércia diante da cultura do estupro", trata como o próprio título indica, de uma revisão, feita pela própria autora, sobre todas as vezes que a mesma silenciou-se diante das agressões provenientes da cultura do estupro. Ambos importantes para demonstrar a presença e os sinais dessa cultura em nosso dia-a-dia e como para combatê-la, precisamos, antes de tudo, percebê-la.
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Alguns vídeos interessantes também.

Vídeo-sátira anti-estupro estrelado pela atriz de Bollywood Kalki Koechlin e apresentadora de TV Juhi Pandey - A culpa é sua!



Homens, tirem suas máscaras - Poema de Jeremy Loveday (www.jeremyloveday.ca) 




Propaganda egípcia - Put youself in her shoes (Se coloque no lugar dela)



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Por fim, um ótimo artigo, publicado originalmente no Cem Homens e posteriormente na revista Carta Capital, que gerou bastante repercussão: "A cultura do estupro gritando – e ninguém ouve". O texto fala sobre o episódio em que Gerald Thomas tentou colocar as mãos por dentro do vestido da Nicole Bahls. Nádia Lapa aponta a reação (ou a falta de) ao fato. Como, diante do papel que Nicole Bahls assumiu em sua carreira, acabou saindo como a "culpada" pela invasão de seu corpo por parte do diretor.

"Se a mulher geralmente já é tratada como “coisa”, como um objeto para deleite masculino, quando ela tem seu corpo e sua sexualidade transformada em um produto vendável, tudo só piora. Nicole faz sucesso porque tem um corpão, segundo os padrões de beleza atuais. Ela aparece de biquini na televisão, tira fotos “sensuais”, usa roupas curtas e provocantes. Como ela “provocou” (apenas sendo quem ela é), ela merece ser apalpada por um estranho." - Nádia Lapa
Mas a invasão sofrida por Nicole não demonstrou apenas a existência e naturalização da cultura do estupro no seio de nossa sociedade, mas também um de seus efeitos sobre as mulheres.Voltamos a frase de Lisa Jarvis mostrada ainda no início da postagem de hoje: a cultura do estupro "encoraja as mulheres a culparem a vítima, a se odiarem, a se culparem, a se responsabilizarem pelo comportamento criminoso dos outros". Uma questão muito presente no feminismo, ainda que receba algumas críticas quando não é intersecional, é a sororidade.


A sororidade é uma forma de cumplicidade entre mulheres, de modo que uma se coloque ao lado da outra, ajudando-a a se empoderar, defendendo-a e apoiando-a. Ela é uma forma de mostrar que as mulheres não “se odeiam” por natureza e que a tal “rivalidade feminina” é um conceito criado pelo patriarcado, que afasta as mulheres umas das outras e faz com que muitas delas reproduzam pensamentos e atitudes machistas para se sentirem aceitas pelo grupo privilegiado. 

Selecionamos alguns textos que explicam melhor do que se trata o conceito de sororidade e alguns exemplos de como esse ato pode ser libertador e empoderador. 
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O primeiro texto “Construindo Sororidade” de Carol Marques, nos apresenta uma definição do conceito abordado e como ele é importante para o feminismo e o quanto ele anda de mãos dadas com o feminismo intersecional. Nas palavra da autora: 
"'Eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor'. A ideia do apoio mútuo, em que as mulheres fortalecem umas às outras e se empoderam ao mesmo tempo. Isso não pode ser feito se não houver reconhecimento de opressão e privilégios. Por exemplo: eu, como mulher branca, cis e de classe média, devo reconhecer que sou privilegiada diante de uma mulher trans* negra e pobre, e devo ter empatia por ela. Ainda que eu discorde de alguma de suas falas, eu a respeito, pois tenho empatia e reconheço as relações de poder que existem entre nós. Isso não significa calar-se diante de discordâncias, mas sim lembrar que antes de existir uma pessoa que está falando algo que você não concorda, existe uma mulher com infinitas complexidades diante de você”. - Carol Marques
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O segundo texto, publicado no site Feminismo sem demagogia, foi escrito por Kátia da Costa e se chama "Sororidade: você também pode". Ele é mais voltado para mulheres que já se identificam como feministas, e nos apresenta uma visão da sororidade como algo necessário para, inclusive, lutar contra a desigualdade do sistema capitalista, além de explicar o porquê de muitas mulheres reproduzirem o machismo contra outras mulheres.
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O terceiro texto, de Thayz Athayde, “A gente cuida uma da outra”, disponível no site Blogueiras Feministas, além de dar uma breve explicação do que é sororidade, apresenta um relato acerca da mobilização de mulheres em defesa de uma companheira que fora agredida por seu ex-namorado – que repetiu a agressão com a namorada seguinte – no dia da sua cerimônia de formatura. O relato é particularmente interessante, pois mostra a força que tal ato pode ter, no sentido de proporcionar às vítimas a coragem de falar e de se sentirem apoiadas. 
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O último texto selecionado para tratar do assunto da sororidade é o “Feminismo e sororidade”, escrito por Jéssica Ipólito, blogueira do site Gorda e Sapatão. É um texto interessante pois a autora revela o momento em que teve seu primeiro contato com o feminismo e com manifestações sociais em defesa dos direitos das mulheres, e nesse momento conheceu outras mulheres, diferentes dela, porém compartilhando um mesmo ideal. e a partir daí, pôde perceber o que é a sororidade e como ela mudou a sua vida. um relato empoderador e inspirador.
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Por fim, um exemplo prático de sororidade vindo de uma pessoa famosa: o texto de Pitty direcionado a Anitta ao receber recados de fãs sobre as apresentações de Anitta com músicas dela. Um trechinho:

"O que me deixou aflita e o que eu queria dizer para aquelas meninas que mandaram as mensagens é: NOSSO CORPO É NOSSO. Não deixe ninguém te dizer o contrário. Desfrute dele, assuma-o com a forma e tamanho que ele tiver, vivencie seu corpo- assumindo a responsabilidade que isso traz. Esse empoderamento é importante pra todas nós. Nós podemos usar a roupa que quisermos, podemos dizer o que quisermos, podemos ficar com quem quisermos, a hora que quisermos. Somos donas do nosso destino e estamos aqui para sermos felizes e nos sentirmos bem. O resto, meus amores, é só opressão. Pra mim isso tudo é clichê de tão óbvio, mas achei que devia dizer. Um abraço carinhoso pra todas, suas lindas. E em tempo: um beijo, Anitta!"
Exalando sororidade!
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E só pra deixar esse post mais repleto de sororidade, duas indicações de filme:

Tomates Verdes Fritos (Fried Green Tomatoes) - 1991



Thelma & Louise - 1991

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Muitx obrigadx a todxs que participaram com a gente dessa Semana de Luta!

Nosso objetivo foi evidenciar o machismo na nossa sociedade e as diferentes formas de opressão dele sobre diferentes mulheres. Explicar alguns conceitos feministas, como o feminismo intersecional. Mostrar como o feminismo é uma resistência e uma luta, que visa empoderar todxs as mulheres e conquistar mais direitos para garantir sua sobrevivência. Busca desconstruir esteriótipos e quebrar padrões. E que uma das melhores maneiras de se fazer isso é através da sororidade, que quebra com a ideia de competição entre as mulheres e de rivalidade, para mostrar que unidas somos mais fortes e mais capazes. E claro, trazer esse debate mais pra perto da nossa Universidade.

Esperamos que nossas postagens e todo o material que publicamos tenha ajudado no empoderamento de muitxs companheirxs!

E que esse seja o primeiro de muitos passos! 

sexta-feira, 14 de março de 2014

#SemanadeLutadasMulheres - Feminismo Lésbico


Sexto dia da #SemanadeLutadasMulheres do CAHIS. Hoje, falaremos um pouco mais sobre feminismo lésbico, sobre os estigmas e preconceitos que uma mulher lésbica sofre na nossa sociedade.

Além da misoginia e do machismo, elas também passam por diversas situações de lesbofobia, e sua visibilidade é comprometida até mesmo dentro do movimento LGBTTT, que vem recebendo algumas críticas por suas manifestações estarem centralizadas na luta dos homens gays. O que mostra que mesmo nesse espaço de militância de grupos marginalizados e oprimidos, ainda sim as mulheres são silenciadas e tratadas como invisíveis.

É importante destacar também que a sexualidade e os relaciomentos de mulheres lésbicas são sempre colocados sob uma perspectiva heteronormativa* e fetichizados. Como diz Erykah Badu "as pessoas se incomodam com a sexualidade que não é para o consumo masculino".
Muitos tem dificuldade de entender como mulheres podem ser felizes e realizadas sem a presença de um homem em suas vidas. Lésbicas são vistas como pessoas incapazes de amar e que apenas se relacionam para o sexo, e o sexo da indústria pornográfica, voltado para o público masculino. Ou ainda são tratadas como mulheres insatisfeitas e frustradas que tentam ser homens. O que além de ser extremamente lesbofóbico, também é equivocado, pois identidade de gênero e orientação sexual não são a mesma coisa. 

*explicando a  heteronormatividade: "Numa acepção etimológica da palavra, “hetero” que em Grego quer dizer “diferente” e “norma” que em Latim quer dizer “esquadro”, constituem a formação da palavra heteronormatividade, ou seja, um conjunto de ações, relações e situações praticadas entre pessoas de sexos opostos. Assim, toda uma gana de sexo, sexualidade e identidade de gênero deveriam se esquadrar dentro dos moldes da heteronormatividade, sendo esta a única orientação sexual considerada “normal”. A grande discussão em torno dessa palavra é a limitação que ela impõe aos LGBTTs(Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transex), uma vez que no ceio de sua origem há uma gana de proibições que acabam dando origem a discriminações, preconceitos e, consequentemente homofobia". Fonte: Ser Feliz é Ser Livre - O que é Heteronormatividade?
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Começaremos as nossas indicações de hoje com o texto “Lésbicas: invisibilidades e violências”, de Ticiane Figueirêdo, publicado no site Blogueiras Feministas. O texto mostra o assunto tratado no início da postagem: a questão da invisibilidade das mulheres lésbicas na sociedade e no movimento LGBTTT, a partir da data de 29 de Agosto, Dia da Visibilidade Lésbica. Fala também sobre o grave problema do “estupro corretivo”, prática de agressão legitimada pelo discurso heteronormativo de que uma mulher só é lésbica porque não encontrou um homem másculo o suficiente para satisfazê-la. 
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Selecionamos também o texto “Lesbianidade uma forma de resistência” de Jully Soares, também publicado no Blogueiras Feministas, que fala sobre os esteriótipos que são constantemente reproduzidos acerca das mulheres lésbicas, sempre associados a ideia de masculinização, e sobre a fetichização de suas relações. É interessante a perspectiva da autora de que quando duas mulheres escolhem se relacionar entre si, sem a presença de homens, elas criam uma forma de resistência ao sistema patriarcal, que tem como uma de suas bases a heteronormatividade das relações e a objetificação das mulheres para servir ao desejo dos homens. Outro ponto levantado pela autora, é que a lesbianidade quebra com a ideia de que mulheres são sempre inimigas, rivais e estão constantemente em competição umas com as outras. Na verdade, a relação homoafetiva entre duas mulheres prova que estas podem se amar, se querer bem, e não viverem em guerras para ganhar a atenção de homem algum.
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Além desses dois textos, segue também uma entrevista com Ochy Curiel para IHU On-Line. A entrevistada é uma ativista feminista que escreveu um artigo sobre o caráter político das relações entre mulheres lésbicas “El Lesbianismo Feminista: una propuesta política transformadora”. 
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Por fim, nossa indicação de filme hoje: um filme brasileiro (que inclusive passou por dificuldades em busca de patrocínio justamente por sua temática, como mostra a entrevista do diretor Bruno Barreto). O filme em questão é "Flores Raras", de 2012. A trama se passa em 1951, em Nova York e no Rio de Janeiro. A personagem principal é Elizabeth Bishop (Miranda Otto) uma poetisa insegura e tímida, que apenas se sente à vontade ao narrar seus versos para o amigo Robert Lowell (Treat Williams). Em busca de algo que a motive, ela resolve partir para o Rio de Janeiro e passar uns dias na casa de uma colega de faculdade, Mary (Tracy Middendorf), que vive com a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires). A princípio Elizabeth e Lota não se dão bem, mas logo se apaixonam uma pela outra. É o início de um romance acompanhado bem de perto por Mary, já que ela aceita a proposta de Lota para que adotem uma filha.

O filme mostra com leveza a relação amorosa entre mulheres, o companheirismo e a cumplicidade, além das turbulências comuns em qualquer relacionamento. Vale assistir.


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"Quando uma mulher escolhe ficar com outra mulher, ela envia uma mensagem de resistência, diferentemente do que o patriarcado diz, do que o sexismo diz, ela não precisa se curvar à suposta superioridade masculina, nem precisa de homem nenhum para viver, para ser feliz ou mesmo para se sentir satisfeita sexualmente." - Jully Soares - Lesbianidade: uma forma de resistência
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quinta-feira, 13 de março de 2014

Recordar: 50 anos do Comício da Central



Em 13 de março e 1964, há exatos 50 anos, o presidente João Goulart discursava para milhares de trabalhadores, políticos, movimentos sociais e autoridades em comício realizado na Central do Brasil, no coração da cidade do Rio de Janeiro, buscando a defesa das reformas de base propostas por seu governo, tão necessárias para o avanço do país. Dentre elas estavam a reforma agrária, a universitária, a tributária e a eleitoral, além de promessas de mais emprego e justiça social aos brasileiros. 

O comício histórico ocorreria apenas duas semanas antes do golpe militar sofrido por Jango, que arruinaria definitivamente o futuro do país, desmantelando totalmente o projeto progressista do governo. 
Evocar esse comício é cumprir um dever histórico e militante,é reviver as memórias da luta contra o imperialismo e contra as elites nacionais e transnacionais. 

Nesse sentido,o CAHIS-UERJ relembra o histórico discurso de Jango, um dos maiores presidentes da história do nosso país, e chama atenção para o quanto ainda  se fazem necessárias as reformas de base no Brasil. 




"Aqui estão os meus amigos trabalhadores vencendo uma campanha de terror ideológico e sabotagem cuidadosamente organizada para impedir a realização deste memorável encontro entre o povo e o seu presidente." João Goulart, Comício da Central , 1964.

#SemanadeLutadasMulheres - Mulheres Trans*

Foto de Capa: Mulheres trans* saem as ruas. Fonte: Dois Terços

Quinto dia da #SemanadeLutadasMulheres do CAHIS. Hoje, um dos temas mais polêmicos, infelizmente, em toda a nossa sociedade: as mulheres trans* e o transfeminismo.

Vivemos em uma sociedade em que as pessoas trans** são explicitamente abominadas e mecanicamente marginalizadas de todos os círculos sociais (inclusive a academia), sempre reduzidas à estigmas e generalizações preconceituosas. É necessário um exercício diário, especialmente de nós, pessoas cisgênero**, para desconstruir e destruir qualquer tipo de opressão e cerceamento de direitos a esses grupos historicamente oprimidos. Precisamos reconhecer e refutar os privilégios que nos são automaticamente concedidos e incentivar os símbolos propagadores de uma visibilidade trans*, para que, juntxs, consigamos desfazer toda a cisnormalidade imposta. 

*Na linguagem escrita, usa-se asterisco após a palavra “trans” porque trans pode se referir a mais de um tipo de identidade (transexual, transgênero, travesti). Para evitar ser excludente com alguma dessas identidades, usamos o que é considerado “termo guarda-chuva”, trans*, que acolhe todas essas pessoas. 

**cisgênero é toda identidade de gênero que está em consonância com o universo simbólico (aparência física, conduta psicossocial) atribuído ao sexo com o qual a pessoa nasceu. Exemplo: pessoa que nasceu com características biológicas de mulher e se identifica como “mulher”. 

Obs: Os artigos definidores de gênero são substituídos nos textos pela letra "x" não só para equalizar os gêneros, mas porque existem pessoas que não se identificam com a concepção binária de gênero (homem cis/mulher cis), e essa é uma pequena forma de incluí-lxs na linguagem escrita. Por vezes, especialmente quando referente à pessoa trans*, mantém-se o artigo, com o objetivo de reforçar que a identidade de gênero escolhida pela pessoa cabe só e somente só a essx indivíduo, e não é o julgamento da sociedade ou uma marca biológica que define se determinada pessoa é ou não homem/mulher.

Para entender melhor este tema, separamos alguns materiais importantes para levantar o debate. 
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Ser uma mulher trans* - Nesse breve relato feito por Andi Moreira, engenheira e mestranda em educação, publicado na página Blogueiras Feministas ela narra um pouco das dificuldades diárias de ser uma mulher trans*, e, indo além, sugere como a representatividade desse grupo social deve ser feita, de forma a não reforçar ou criar ainda mais preconceitos relacionados à elxs.
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Outra publicação, dessa vez feita no blog Feminismo Sem Demagogia,  foi o artigo intitulado "O feminismo precisa das mulheres trans*". Neste texto de Mariana Luppi, apresenta-se a necessidade da interseccionalidade no movimento feminista (temática que já abordamos na #SemanadeLutadasMulheres, do terceiro dia), urgindo pela inclusão e pela soma de forças que mulheres trans*, negras, indígenas e de todos os outros grupos têm a oferecer e se beneficiar. Afinal, todas as opressões se sustentam. Não nos interessa um mundo não-capitalista e machista, assim como não estaremos satisfeitxs com uma sociedade em que haja equidade de gênero e a exploração entre classes se faça presente.
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Indicamos também uma excelente matéria do IGay a respeito de João W. Nery, escritor, psicólogo e primeiro trans* homem a passar por cirurgia no Brasil, ele cunha a excelente frase: “não é o pênis que te faz sentir masculino. Dizer que você é homem, homossexual ou transexual não quer dizer absolutamente nada”. Um dos mais ativos militantes pela visibilidade trans* no país, Nery será convidado do CAHIS-UERJ em nossa Calourada de 2014, integrando a mesa que discorrerá sobre Historiografia de gênero.
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Outra entrevista interessante: a cantora e líder da banda Against Me!, Laura Jane Grace, nasceu Tom Gabel, e nessa matéria da Rolling Stone ela fala sobre como é ser mulher trans*, mãe, companheira e exemplo para muita gente através de sua música.
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E dando início as nossas indicações de vídeos, começamos com um vídeo da banda da Laura Jane Grace, Against Me!, tocando  a canção “Transgender Dysphoria Blues” ao vivo.


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Outra indicação: o filme “Meninos não choram” (Boys Don’t Cry), de 1999. O mesmo aborda a questão da transexualidade e é baseado na história real de Brandon Teena. O protagonista assume a identidade de homem e isso gera uma onda crescente de violência na pequena cidade que serve de cenário para a história, chegando ao absurdo de um estupro corretivo. Hilary Swank levou o Oscar de melhor atriz, por sua atuação na pele de Brandon.


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"Precisamos das mulheres trans, em primeiro lugar, porque precisamos das mulheres em geral, de cada uma delas, com suas experiências e diversidade. Mas não só isso, precisamos das mulheres trans para nunca esquecermos que ser mulher não é uma identidade definida positivamente, ou características definidas que nos igualam. Na nossa sociedade em geral ser mulher significa antes de tudo que somos oprimidas diariamente pelo machismo." - Mariana Luppi em "O feminismo precisa das mulheres trans*"
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terça-feira, 11 de março de 2014

#SemanadeLutadasMulheres - Mulheres Originárias: Mulheres Indígenas

Foto de capa: Foto de Marcos Vergueiro/ GEMT - Fonte: Fotos públicas
Quarto dia da #SemanadeLutadasMulheres do CAHIS. Hoje abriremos mais um espaço para falar sobre mulheres que são ainda mais excluídas de tantas pautas: as mulheres indígenas.

Buscamos, com isso, desconstruir os esteriótipos racistas e machistas que são constantemente reforçados através do senso comum e da exploração capitalista sobre elas, bem como ampliar a discussão para mostrar a atuação dessas mulheres dentro de sua própria comunidade, reivindicando direitos indígenas e fortalecendo a luta pela demarcação de terras, condições de saúde, trabalho, entre outras inúmeras demandas.

Pretendemos mostrar que a questão indígena vai muito além do que sabemos pelo senso comum e pela imagem folclórica pintada constantemente pela mídia, e que inclusive, descaracteriza a luta indígena no próprio "Dia do Índio".

Para realizar essas análises, separamos alguns textos e alguns vídeos.

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O primeiro texto é de autoria de Bia Cardoso publicado na página Blogueiras Feministas. No artigo, intitulado "Dia Internacional da Mulher Indígena", a autora explica o porque da escolha da data de 5 de setembro como Dia Internacional da Mulher Indígena, homenagem referente à morte de Bartolina Sisa, durante a rebelião anticolonial de Túpaj Katari, no Alto Peru. Bia destaca a importância das mulheres indígenas em suas sociedades, tanto no âmbito econômico, quanto no social e político. Além disso, ressalta o problema da imagem caricata e da apropriação cultural que é constantemente feita em relação aos povos indígenas.
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O segundo texto é de Alejandra Aguilar Pinto. O artigo, intitulado "Reinventando o Feminismo: as mulheres indígenas e suas demandas de gênero", apresenta uma análise da questão indígena através da perspectiva de gênero e etnia, e de que modo os setores femininos dentro do movimento indígena vem sendo desenvolvidos através de suas próprias práticas político-culturais e do apoio de organizações de terceiro setor e da sociedade civil. Estabelecendo uma crítica ao feminismo “oficial”, em relação à prática de uma espécie de “colonialismo discursivo” ao introduzir às mulheres do Terceiro Mundo às demais localidades
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Destacamos também uma reportagem da BBC Brasil, publicada no site Amazônia.org, que mostra um grupo de mulheres indígenas que decidiu levantar, dentro de suas aldeias no Acre, algumas pautas do movimento feminista. Isso por sentirem uma necessidade de representação de suas particularidades dentro do feminismo, de criar uma forma de luta que contemplasse às mulheres indígenas de acordo com suas necessidades, e não sob a perspectivas de mulheres brancas. Uma lição de empoderamento e voz para todxs.
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Além dos textos e da reportagem, indicamos alguns vídeos:

Encontro de Mulheres Indígenas da Bahia - Partes 1 e 2 - Os dois vídeos são o registro de um encontro realizado na Bahia entre mulheres indígenas de diversas etnias e regiões. Depois de reuniões conjuntas, essas mulheres perceberam o quão importante era construir um espaço de convivência feminino para apresentar suas pautas específicas e suas vivências como mulheres indígenas. 



E para ilustrar um pouco a situação das mulheres indígenas fora do Brasil, mais precisamente em outras nações da América Latina, dois vídeos sobre a situação na Colômbia e no Peru, respectivamente:



    

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“As mulheres indígenas são as mais gravemente afetadas pelo modelo de desenvolvimento econômico imposto no Brasil. São elas que sofrem de forma mais contundente os impactos provocados sobre o meio ambiente. Quando os indígenas perdem acesso aos recursos ambientais que garantem sua segurança e soberania alimentar, são as mulheres as mais penalizadas, pois geralmente são elas as responsáveis por cuidar da alimentação. Essa é uma característica comum a muitas comunidades tradicionais. Também são elas as mais impactadas pelas grandes obras que perturbam o modo de vida de suas comunidades.” Referência: 2011: Mayara Melo na obra Mulheres indígenas – violência, opressão e resistência
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segunda-feira, 10 de março de 2014

#SemanadeLutadasMulheres - Enegrecer o Feminismo

Foto de capa: Marsha Hunt, por Patrick Lichfield, 1969 - Fonte; Gravura "Marcara de Ferro", de Jacques Arago, em alusão a escrava Anastacia - Fonte; Gravura Dandara - Fonte; Kathleen Cleaver falando no "Black Panther Rally" - Fonte.

Terceiro dia da #SemanadasdeLutadasMulheres do CAHIS. Hoje vamos iniciar a nossa discussão sobre Feminismo intersecional, indicando materiais a respeito do Feminismo Negro.

Mas antes de tudo, o que é Feminismo intersecional e por que ele é tão importante?

Bom, segundo o dicionário:
E, segundo a Wikipedia:

É o estudo das interseções entre grupos desprivilegiados diferentes ou grupos de minorias; especificamente, é o estudo das interações dos vários sistemas de opressão ou discriminação.

Esse conceito foi criado em 1989 por Kimberle Crenshaw, uma professora de Direito da Universidade da Califórnia (UCLA) e da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos que também é uma grande ativista do feminismo e dos direitos-civis. No artigo "A Intersecionalidade na Discriminação de Raça e Gênero", Kimberle questiona a visão tradicional de discriminação sugerida pelos Direitos Humanos, sobretudo de raça e gênero. Segundo a autora, essa visão tende a considerar categorias diferentes de pessoas, em separado: "A visão tradicional afirma: a discriminação de gênero diz respeito às mulheres e a racial diz respeito à raça e à etnicidade. Assim como a discriminação de classe diz respeito apenas a pessoas pobres". A intersecionalidade seria, portanto, uma forma de levar em consideração a sobreposição desses grupos e não sua distinção. 


Mais tarde esse conceito seria levado a abranger novas características e discriminações. E o feminismo intersecional quer dizer então que, para mulheres que sofrem opressões provenientes de diferentes grupos e categorias tradicionais, é impossível separar as experiencias sofridas. É importante que o feminismo se abra para todas as experiências, atentando e protegendo igualmente a todas as mulheres:
A intersecionalidade oferece uma oportunidade de fazermos com que todas as nossas políticas e práticas sejam, efetivamente, inclusivas e produtivas.Kimberle Crenshaw
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Dito isso, podemos discutir então a importância do Feminismo Negro e suas especificidades. Mas, se Feminismo fala sobre igualdade, por que um feminismo negro? É a partir dessa pergunta que a blogueira Mara Gomes, que faz parte da página Blogueiras Negras, inicia seu artigo intitulado "Por que um feminismo negro?". Vale a pena a leitura!
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A partir do livro organizado e escrito por Jurema Werneck, intitulado "Mulheres Negras: um Olhar sobre as Lutas Sociais e as Políticas Públicas no Brasil", e do artigo de Sueli Carneiro, "Enegrecer o Feminismo: a situação da mulher negra na América Latina apartir de uma perspectiva de gênero", a blogueira Bárbara Araújo deu sua colaboração para a discussão sobre o Feminismo negro no artigo "'Enegrecer o feminismo': movimentos de mulheres negras no Brasil", também explicando sobre intersecionalidade.

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Por fim, algumas indicações de filmes para refletir sobre a questão da intercecionalidade e do feminismo negro.

A Cor Púrpura (The Color Purple) - 1985

O drama, dirigido por Steven Spilberg e indicado a 11 Oscars, foi baseado em um livro de mesmo nome, escrito por Alice Walker em 1982. Celie (Whoopi Goldberg) é mulher e negra, no início no século XX, vivendo numa área rural dos Estados Unidos. É violentada pelo pai aos 14 anos, tem dois filhos, fica estéril, é separada da irmã que amava e forçada a casar-se com um homem que não ama, que a maltrata, tratando-a mais como uma escrava do que como esposa. O marido nutre uma paixão não tão correspondida por Shug Avery (Margaret Avery), uma cantora de Blues e descarrega toda sua frustração em Celie. Celie então escreve cartas, para desfazer-se da solidão e do sofrimento que a cercam. Mal consegue falar, anda de cabeça baixa. Conforme a trama de desenrola, Celie vai conhecendo as mulheres que vivem ao seu redor, se apaixona por Shug e, através da convivência e da sororidade, passa a entender todo o sofrimento que passou durante toda sua vida, levanta a cabeça e passa então a ver o mundo sob outras luzes.


Preciosa (Precious) - 2009

Também baseado em um livro ("Push", escrito por Sapphire em 1996), o filme de Lee Daniels, indicado a 5 Oscars, vencendo 2 deles, se passa em Nova York, no fim da década de 80, no bairro do Harlem, um bairro majoritariamente negro e pobre. Claireece Precious Jones (Gabourey Sidibe) tem 16 anos, é negra, obesa e pobre. Violentada pelo pai e abusada pela mãe, engravida duas vezes. A primeira filha, apelidada de "Mongo" por ser portadora de síndrome de Down, permanece sob os cuidados da avó. Ao engravidar pela segunda vez, Preciosa é suspensa da escola e é levada a outra instituição, onde encontra outras meninas em situações semelhantes a sua, onde também passa a se refugiar da realidade através da imaginação. Cria uma nova vida, um novo mundo, uma nova realidade. Com ajuda da professora Sra. Blu Rain (Paula Patton), Preciosa passa a exteriorizar seus sentimentos, na tentativa de amenizar alguns de seus traumas.


De fato, as lutas das mulheres negras por equidade se desenvolve ao longo dos séculos e devemos reconhecer que têm sido parte fundamental dos amplos segmentos que constroem cotidianamente o Brasil como nação. Ainda que violentamente invisibilizadas – pois atuam num contexto de racismo e sexismo – colocam à disposição da sociedade séculos de lutas, de pensamento a serviço da ação transformadora. Em seu horizonte, uma sociedade sem iniquidades, sem racismo, sexismo, sem as desigualdades de classe social, de orientação sexual, de geração ou de condição física e mental, entre muitas outras. - Apresentação do livro "Mulheres Negras: um Olhar sobre as Lutas Sociais e as Políticas Públicas no Brasil"

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