sexta-feira, 28 de novembro de 2014

ATA – Assembleia do mês de novembro (24/11/14)

Turno da Manhã

15 alunos presentes


Pontos de Pauta:
- Informes
-Calendário Eleitoral
-Assuntos Gerais

- Sem informes

- Calendário Eleitoral

Deliberações:
25 de novembro– 1 de dezembro: Inscrição de Chapa
2-11 de dezembro – Campanha
9-11 de dezembro – Campanha e Eleição
Comissão Eleitoral: Sérgio Bernardo e Douglas dos Santos


Turno da Noite

36 alunos presentes


Pontos de Pauta:
- Informes
-Calendário Eleitoral
-Assuntos Gerais


- Informes:
Curso BRICS realizado pelo professor Theotônio dos Santos durante os dias 24, 25 e 26 de novembro, com realização do Movimento Universidade Necessária

- Calendário Eleitoral
Deliberação tirada na Assembleia da manhã foi aprovada.
25 de novembro– 1 de dezembro: Inscrição de Chapa
2-11 de dezembro – Campanha
9-11 de dezembro – Campanha e Eleição

Comissão Eleitoral: Pedro Gabriel Torres, André Rocha e Jefferson Enio

- Assuntos Gerais
.Construção de um ato em apoio aos trabalhadores da CONSTRUIR
.Reunião para a construção: 25/11 – 18h no CAHIS
.O Centro Acadêmico está negociando uma visita a ocupação Zumbi dos Palmares em São Gonçalo

domingo, 9 de novembro de 2014

CAHIS informa: Todo apoio à luta dos Trabalhadores Sem Teto

Todo apoio à luta dos Trabalhadores Sem Teto

Nasceu no Estado do Rio de Janeiro, na cidade de São Gonçalo, uma grande ocupação urbana que foi batizada com o nome do nosso grande guerreiro e revolucionário Zumbi dos Palmares, que lutou contra a escravidão e pela libertação do povo negro em um dos piores períodos de nossa história.

Organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST, além de moradia digna para os trabalhadores e trabalhadoras, esses lutadores reivindicam uma profunda reforma urbana no Brasil que acabe com a especulação imobiliária e o défict habitacional, além de outras implicações.

O CAHIS segue sua tradição de diálogo e apoio às lutas populares e declara seu apoio público à ocupação Zumbi dos Palmares e abrimos nossa Sede para recebermos doações para a ocupação. Começaremos a receber nesta segunda-feira, dia 10, e receberemos durante toda a Semana de História e nas semanas seguintes vamos organizar um debate com representantes do MTST.

Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito !



CAHIS UERJ, Gestão Filhos da Pública

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Comunicado oficial à imprensa sobre o ato contra o Coronel Frederico Caldas

Nesta ultima terça-feira, dia 14 de Outubro, o CAHIS-UERJ e outras entidades, estudantes e moradores de favelas “pacificadas” ocuparam o Auditório 93 da UERJ para escrachar o Coronel da PM Frederico Caldas, Comandante das Unidades de Polícia “Pacificadora”. Frente às diversas interrogações feitas pelos grupos midiáticos que procuraram os diretores do CAHIS, decidimos por lançar um comunicado oficial à imprensa ressaltando alguns pontos essenciais para o entendimento do ocorrido.

Finalidade do Ato


Como dissemos acima, o Ato foi construído com o intuito de silenciar o Comandante das UPPs. O alvo da intervenção foi, desde o momento inicial até o final, o Coronel Frederico Caldas e, especificamente, o que ele representa enquanto comandante das Unidades de Polícia “Pacificadoras”. Em nenhum momento nossa intenção foi criticar o livro que estava sendo lançado, isso faremos em outro momento com resenhas críticas acerca da pesquisa realizada. Ora, se os alvos das nossas críticas naquele ato fossem os pesquisadores do LAV, como estão vendendo por aí, já teríamos nos manifestado contra eles há muito, pois estes pesquisadores estão no nosso andar diariamente dentro das salas de aula ou no Laboratório de Pesquisa. Os pesquisadores e o livro não nos importavam.

Diálogo e Livre Debate de Ideias

Outro consenso que se formou é de que nós do Centro Acadêmico de História não somos favoráveis ao livre debate de ideias, que fizemos um atentado à liberdade de expressão. Não há como ter um atentado à liberdade de expressão, pois ela nunca existiu. Para que ela exista é necessário que as condições sejam as mesmas. É muito fácil quando se está em posição superior reclamar que a sua liberdade de expressão foi afetada, pois uma coisa que as classes dominantes sempre tiveram foi o direito a se expressar. Não vamos idealizar a palavra liberdade, pois ela é uma construção histórica. A polícia mata na favela, e tem o seu comandante chamado para a UERJ para defender discursivamente os assassinatos e estupros que ocorrem diariamente. E nós, por nos colocarmos contra toda essa violência, somos taxados de fascistas. A lógica de discordar, mas não atrapalhar o direito de fala, está calcada em privilégios de classe. O pobre quando quer falar, é morto. Só existirá liberdade de expressão quando os direitos de fala forem os mesmos.

Em nenhum momento nós do C.A. de História da UERJ fomos convidados para o debate, como vem sendo relatado, mas pode ser que algum militante de outro coletivo que compunha o ato tenha sido. De todo modo, quem recebeu o convite, se é que de fato o recebeu, fez certo ao se recusar a sentar-se à mesa com o Cel. da PM. 

Nós já realizamos alguns debates sobre as UPPs, tendo o último dele sido realizado durante o Encontro Nacional de Estudantes de História – ENEH, sediado por nós na UERJ ano passado e que contou com a presença de mais de 1500 estudantes de todo o Brasil. Não só somos favoráveis a esse tipo de debate como sempre cobramos da Universidade eventos desse tipo. Mas mantemos a nossa posição de não concordar em dar voz a quem já tem todos os meios de se manifestar diariamente através da grande mídia (televisão, rádio, jornais, revistas).

Fascismo


Fomos acusados pelo Professor Ignácio Cano, pelo Reitor da UERJ, Ricardo Vieiralves de Castro e pelo jornalista da Rádio CBN, Octavio Guedes, de fascistas. Estes últimos, o Reitor e o jornalista, chegaram ao cúmulo de por em xeque nossa capacidade intelectual nos mandando estudar História, afirmando que não conhecemos os processos autoritários e totalitários que o mundo viveu no século XX e o período ditatorial que vivemos entre 1964 e 1985. Risível. Quem precisa estudar História são estes senhores, principalmente este dito jornalista, que nem o seu trabalho faz corretamente, ou alguém concorda que ficar 20 minutos ao vivo nos xingando de fascistas e exigindo que a Reitoria nos puna é trabalho jornalístico sério? Nós achamos que não.

Se estes senhores fossem grandes conhecedores da História como pretensamente se auto intitularam, não cometeriam o equívoco de achar que autoritarismo e totalitarismo são a mesma coisa. Não se utilizariam de um termo como o fascismo que é tema de um debate historiográfico e sociológico extenso e contraditório sobre o seu significado. Saberiam que quem apoiou e apoia o Regime Militar ditatorial brasileiro são as Organizações Globo, a qual o Reitor fez acordo durante a Copa (e foi duramente criticado pelo nosso representante no Conselho Universitário), e a qual este jornalista trabalha. Atentariam também para o fato de que hoje a Polícia Militar é a instituição que carrega o resquício do entulho autoritário de 1964. Em suma, vocês deveriam estudar mais, não só História, mas também Sociologia e Filosofia. Está mais do que demonstrado que grande parte da imprensa, principalmente os radialistas Octavio Guedes e Lilian Ribeiro, e alguns ilustres intelectuais da academia, como o próprio Ignácio Cano, alinhavado pelo marinista Luiz Eduardo Soares e com a concordância do Reitor Ricardo Vieiralves de Castro, não sabem o significado da palavra fascista.

Existe uma falsa simetria quando nos afirmam como autoritários que interromperam o “debate”. Um debate que, sabemos nós, era jogo de compadres. Algum familiar das vítimas da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro foi chamado à mesa para discutir sua experiência de se ver vidas ceifadas pelo fuzil dos homens de farda? Agora, pensando bem, vemos que atingimos outro objetivo: fomentamos um debate, que hoje é explorado pela grande mídia, pondo a questão das UPPs em voga de forma mais crítica. Mais do que isso, é sinal de que o debate foi até além do planejado pelo evento: ele ultrapassou os muros da afastada universidade, que costumeiramente fica de costas para a sociedade. 

Todos os elogios para os estudantes que se recusaram a ouvir passivamente as palavras de um representante da Policia Militar que é torturadora, assassina e estupradora. Polícia essa que, em diversas situações, não pregou o diálogo. É só lembrarmos de que com o Amarildo não teve diálogo! Com a Cláudia, arrastada covardemente pelo carro a PM, também não! Muito menos com o DG, atingido pelas costas! A função da polícia não é estabelecer diálogo. Ela foi criada com a intenção de vigiar e punir um inimigo interno do qual todos temos conhecimento: os pobres e negros, os escravos de ontem, os invisíveis e favelados de hoje. Não há a possibilidade de se ter diálogo com um Coronel da Polícia Militar. Há um fosso entre a corporação e a sociedade civil. No ano passado, movimentos sociais foram às ruas em protestos históricos e a reação da PM foi a repressão. Mas sabemos que a repressão aos que foram às ruas em junho não se compara ao que os moradores de favelas vivem diariamente. Infelizmente, nos sobram poucos espaços de resistência. A Universidade, com todos os seus problemas, tem o dever de levar à sociedade a sua contribuição. 

Composição do Ato


Sabemos bem que o protagonismo dessa luta não deve ser de estudantes universitários que em sua maioria são de classe média e não moram em favela. Acreditamos que o movimento estudantil deve sim apoiar e ajudar a organizar a luta dos trabalhadores e trabalhadoras, mas nunca querendo falar por eles. 

O ato contava com muitos moradores de favelas, alguns inclusive estudantes cotistas da UERJ, que aprenderam a conviver diariamente com o fuzil como paisagem. Também estiveram presentes o Conselho de Juventude da FAFERJ (Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro, que representa 1800 favelas em nosso estado), o Fórum de Juventudes, entre outros coletivos e organizações de favelas. E é consensual entre aqueles que participaram do ato que a experiência da UPP foi transferir apenas o monopólio da violência do tráfico para a polícia. Contudo, ao invertermos a lógica da dominação, talvez o Coronel tenha podido sentir na pele, ainda que seja bem pouco se comparado às barbaridades da PM, o que milhares de moradores das favelas sentem diariamente: silenciamento. A diferença abissal, que a desonestidade intelectual dos que nos chamam de fascistas não mostra, é que nós os silenciamos com vaias, apitos e palavras de ordem. Nos becos e vielas das favelas, o silêncio da população negra e trabalhadora é feito com balas, tortura, agressões, estupros e mortes. 

Centro Acadêmico de História

Gestão Filhos da Pública