quinta-feira, 17 de julho de 2014

CAHIS INFORMA: Professores comprometem ida de alunos ao ENEH

PROFESSORES COMPROMETEM IDA DOS ALUNOS PARA O ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES DE HISTÓRIA



Na ultima terça-feira, dia 15 de Julho, ocorreu a Reunião Departamental de História. Um dos pontos dessa reunião foi a liberação de alunos e professores para viagens e eventos. A proposta apresentada pelos representantes do CAHIS presentes na reunião foi o pedido de liberação dos alunos entre os dias 13 de Agosto, dia do inicio do translado de ônibus até Fortaleza, e 27 de Agosto, dia da volta dos estudantes ao Rio de Janeiro. Essa liberação garante aos alunos que eles, durante o período solicitado, não sofram com faltas e sejam prejudicados caso ocorra alguma apresentação de trabalho ou prova.
O ENEH, Encontro Nacional dos Estudantes de História, que ocorre uma vez por ano, é um dos espaços mais importantes para a formação intelectual e política dos estudantes de história de todo o Brasil. As discussões apresentadas no encontro dificilmente serão encontradas em qualquer espaço acadêmico. Esse rompimento com a razão acadêmica da Educação Bancária, como dizia Paulo Freire, parece não ser bem visto aos olhos de boa parte de nossos docentes.
Esses professores – dos quais, boa parte utiliza muito da liberação concedida ao departamento para tirar mini-férias que são as idas durante o período letivo para “congressos e viagens” que acabam por apertar ainda mais o calendário letivo– apresentando uma visão de conhecimento completamente atrasada e pautada numa relação hierárquica aluno-professor, votaram contra o pedido, feito por nós na reunião, de liberação dos alunos que vão de ônibus para o ENEH, no caso três dias antes do evento, aceitando apenas a liberação para a semana do Encontro. Para eles, esses três dias que os alunos seriam liberados seria algo de extrema calamidade para o desenvolver do período e as atividades já programadas não poderiam ser remarcadas mesmo estando sendo avisado com um mês de antecedência (!) Apesar de falarem que estão abertos sempre ao dialogo,a prática não se mostrou dessa maneira: foram intransigentes com o interesse dos estudantes por estarem em maioria. Além disso, surgiram comentários durante a reunião, inclusive, debochando da situação de alguns alunos que porventura poderiam vir a ser prejudicados: “Se está preocupado com falta, que não vá para o ENEH”. “Se está preocupado com prova final, que tivesse estudado durante o ano”. Quão atrasados pedagogicamente estão nossos professores. Torna-se mais grave e contraditória a atitude dos professores ao votarem, nessa mesma reunião, a favor da liberação dos professores para outros congressos. (!) Porque os professores podem ser liberados de suas atividades na UERJ para viajarem a eventos e nós estudantes não?!
Terça-Feira que vem teremos o Conselho Departamental, que é uma instância que além de contar  apenas com conselheiros do IFCH esta acima do Departamento, e mais uma vez iremos pleitear a liberação dos alunos para irem ao evento e contamos com a colaboração de vocês para conseguirmos que os alunos sejam liberados.  A defesa intransigente dos interesses dos alunos é uma bandeira que será sempre por nós defendida. Nesse sentido, garantimos que nenhum aluno será prejudicado caso vá para o ENEH. Nenhuma medida proibicionista e conservadora por parte do corpo docente irá excluir a presença dos alunos no encontro.

- POR UMA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO LIVRE E AUTONÔMA!


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Lançamento do livro " O Aço Vermelho" no lançamento da Revista Eletrônica do CAHIS



João Claudio Platenik Pitillo: O primeiro brasileiro a escrever sobre a participação soviética na Segunda Guerra Mundial. 


Passados 75 anos, o livro " Aço Vermelho" revelará aos brasileiros os segredos da vitória 
soviética, durante sua participação na Segunda Grande Guerra, omitidos pela 'Guerra Fria".


Fruto de grande trabalho,o autor pesquisa a participação da URSS há mais de 15 anos e será o brasileiro pioneiro a escrever sobre o tema. O livro é prefaciado pelo professor Francisco Carlos Teixeira da Silva (UFRJ) e apresentado pelo professor Celso PériclesThompson (UERJ) e tem comentários do professor Luiz Edmundo Tavares (UERJ).







Dia: 22/07 - 18:30h

Local: UERJ - Auditório 91 - 9º andar - Rua São Francisco 

Xavier, 524 Maracanã Rio de Janeiro RJ.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Opinião: Nota do Comitê pela Libertação dos Presos Políticos

Nota do Comitê pela Libertação dos Presos Políticos

Liberdade imediata de todos os presos políticos!

No dia 12 de julho de 2014, o aparato de repressão do Estado deu mais uma demonstração de abuso, ampliando ainda mais o Estado de exceção no Rio de Janeiro. Somaram-se aos presos políticos que já haviam sido arbitrariamente encarcerados, mais outras dezenas de ativistas. Sem nenhuma prova, sem nenhuma justificativa material, esses ativistas tiveram suas casas invadidas, e até arrombadas, por policiais fortemente armados e foram levados para imediata prisão, sem que houvesse a garantia dos mínimos direitos básicos.

A mega operação montada para intimidar e perseguir ativistas teve como objetivo impedir manifestações, particularmente a manifestação marcada para o dia da final da Copa, criando um absurdo jurídico, em que pessoas são presas acusadas de crimes que sequer ocorreram.

Após uma investigação policial que se iniciou em setembro de 2013 e toda a encenação e cumplicidade da imprensa reacionária na tentativa de criminalizar os movimentos populares, não conseguiram forjar nenhuma prova contra os presos. Dentre as “apreensões” estavam jornais, livros, máscaras de gás, equipamentos eletrônicos e bandeiras, ficando claro o caráter político das prisões. Uma arma apresentada repetidamente pela televisão era de um segurança patrimonial com porte legal de arma, parente de um dos presos. Apenas com esse fato tentou-se forjar a falsa acusação de quadrilha armada.

Entre os presos e perseguidos estão: professores de rede estadual que participaram da última greve, estudantes das universidades e escolas públicas, membros de centros acadêmicos e grêmios estudantis, professores universitários, advogados, profissionais de saúde e outros trabalhadores sindicalizados e atuantes nos movimentos populares.

Frente a situação de aberta perseguição política que essa operação da polícia demonstrou, é tarefa de todos que defendem o direito a livre manifestação somarem-se ao mais veemente repúdio às prisões políticas.

É papel de todos defender a imediata liberdade de todos os presos políticos.

Assinam: Centro Acadêmico de Geografia (UERJ), Centro Acadêmico de Filosofia (UERJ), Centro Acadêmico de Serviço Social (UERJ), Centro Acadêmico de História (UERJ), Diretório Acadêmico de Letras (UERJ).

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Opinião: Israel x Palestina



Nos últimos dias começamos, ou melhor, (re) começamos a assistir pelos telejornais, sites de internet, etc; o que já há muito tempo vem acontecendo no Oriente Médio, em especial entre o Estado de Israel e os Palestinos. Desde a quarta feira passada, o Estado Israelense ordenou o bombardeamento da faixa de Gaza em resposta ao assassinato de três jovens judeus, em regiões próximas a áreas palestinas. Pra completar o teatro de horrores, um jovem palestino da periferia de Jerusalém foi brutalmente morto em resposta a morte dos jovens judeus. O que causou uma revolta nos bairros pobres de Jerusalém, habitados por palestinos. Em decorrência disso a polícia israelense usou toda brutali
dade costumeira contra os palestinos, inclusive espancando o irmão do jovem palestino, o que acabou caindo na web.

        O senso comum no geral pode até afirmar que os israelenses estão “corretos” em agir dessa forma, uma vez que foram “perturbados” em sua paz. Mas eis que vamos aos fatos tentar esclarecer algumas questões. A primeira e talvez a mais importante é que apesar de os três jovens judeus terem sido mortos em uma área palestina, não existe nenhuma prova que o Hamas (movimento de libertação palestino) tenha mandado executar os jovens, nem se investigou a fundo o por quê das mortes. 

          Outra, o Estado Israelense a cada dia que passa mantém políticas mais segregacionistas e violentas contra os palestinos, algumas inclusive condenadas pela própria ONU. É sabido também que Israel tem a política de criar colônias judias no entorno de regiões palestinas, como forma de barrar a expansão e criação de um Estado Palestino Livre e que muitos judeus moradores dessas colônias muitas vezes praticam alguma forma de violência contra os palestinos, como destruindo colheitas etc. Então o que poderá ter causado a morte dos três judeus??? Sabe-se também do crescimento vertiginoso de grupos fundamentalistas religiosos, tanto do lado judeu, como palestino, que poderiam ter realizado a execução por algum motivo. Não poderemos saber até que seja feito uma investigação profunda no caso.

          Podemos arriscar a previsão que o Estado de Israel não tem interesse na conclusão de nenhuma investigação, inclusive seu mecenas maior os EUA. Uma vez que é de interesse continuar com a política de segregação e genocídio do povo palestino. Inclusive ao bombardear Gaza, Israel pode enfraquecer o Hamas e qualquer resposta armada palestina aos desmandos israelenses.  Tendo essa compreensão, o CAHIS-UERJ presta sua homenagem e solidariedade ao povo palestino.
       

quarta-feira, 2 de julho de 2014

CAHIS indica: Copa do Mundo, cidades e direito das mulheres


Joana Barros, assessora nacional da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), nesta entrevista, ao Brasil de Fato, reforça que os megaeventos esportivos servem a um processo de transformação urbana que aprofunda as desigualdades, inclusive a de gênero.
“São as mulheres as que mais arcam com os custos das remoções”, afirma ela, que é doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP).
Ao debater a chamada crise urbana, Joana faz uma análise crítica ao atual modelo de desenvolvimento.
Brasil de Fato – O que significa dizer que as metrópoles estão em crise?
Joana Barros – Precisamos contextualizar o que chamamos de crise urbana. Há uma percepção recente de que a vida nas cidades virou um inferno e que esta crise urbana explodiu em junho [de 2013]. Mas este é um processo antigo, que remonta pelo menos aos anos de 1970, de aumento agudo do padrão de crescimento urbano, da consolidação das grandes manchas metropolitanas e que tem relação com o perfil produtivo do país e o grau de urbanização que ele enseja e requer. É significativo o fato de que somos hoje 85% de brasileiros vivendo em cidades, mas é mais importante saber como se vive nelas. Nos últimos 15 anos houve o aprofundamento de um modelo de cidade muito excludente. As cidades brasileiras sempre foram segregadas, mas o tom e a forma dessa segregação muda justamente porque o modelo urbano está articulado ao modelo de produção do país. Então, o que a gente chama de crise nas cidades mostra a crise do atual modelo de desenvolvimento. E, ao contrário do que se poderia pensar, não se restringe às metrópoles.
Esse modelo de cidade e de desenvolvimento interfere muito na vida das mulheres. Poderia falar sobre isso?
As mulheres sempre tiveram um lugar nas cidades de muita invisibilidade e sempre foram sujeitas à violência, seja na rua seja em casa. Se a gente olha uma coisa muito pequenina que é o desenho das casas, você vai perceber que os lugares em que as mulheres ficaram por muito tempo, como a cozinha e área de serviço, são mal ventilados, sem visão de rua, encarcerados em si. Isso já é sintomático. E hoje as mulheres ainda estão expostas o tempo inteiro a um sem número de violências. As cidades possibilitam mais e mais isso com seus lugares mal iluminados, sem segurança e com espaços socialmente marcados como masculinos. Esta violência toda que parece marcar e estruturar a história das mulheres tem a ver com a percepção de que elas são objetos: seus corpos, suas vidas, sua própria existência como sujeito está em disputa, não é dado como no caso dos homens, que são por princípio senhores de seus corpos e de suas vidas. E é claro que isto está na cidade, nos espaços de circulação, nas casas, na organização do trabalho, na maneira como legitimamos ou não a fala e a ação política das mulheres.
Os megaeventos esportivos aprofundam esse quadro?
É importante dizer que a Copa e as Olimpíadas não podem ser pensadas sozinhas, como processos que se encerram com o final dos jogos e da atividade. Os eventos acabam, mas o processo de transformação econômica e urbana no qual estão inseridos não. No nosso entender a Copa – não só ela como todo e qualquer megaevento esportivo desse porte – faz parte de uma reorganização produtiva, econômica e territorial no país, e atinge de forma diferente as cidades-sede justamente porque se articula ao processo mais global de transformação e desenvolvimento econômico regional, estadual ou local. Especificamente no caso das mulheres há formas de violência que recrudescem, como o aprofundamento da exploração sexual. É só atentar para as cidades onde essa questão e a do tráfico de mulheres e crianças já eram graves como Fortaleza, mas também em outras como Salvador, Recife, Rio de Janeiro. A Copa aprofunda este problema. Aqui podemos e devemos abrir o debate sobre o papel que a imagem das mulheres brasileiras cumpre na atração de investimentos para o país.
Outro elemento importante neste contexto das obras de transformação urbana vinculadas à Copa: são as mulheres as que mais arcam com os custos das remoções. São elas que cuidam do cotidiano, que se desorganiza de forma intensa e violenta com a retirada de sua moradia. Com a remoção não só se perde o valor monetário da casa, como também o acesso à escola e o acompanhamento médico no posto de saúde, as redes de sociabilidade que a ajudam no dia a dia com os filhos, as casas de amigos, a relação com o lugar, além da possibilidade de bicos e trabalhos extras que melhoram renda familiar. Essa desestruturação das redes de sociabilidade e de pertencimento que as remoções efetivam tem um impacto imenso na vida das mulheres: impacto afetivo, impacto econômico, impacto no tempo, impacto no trabalho.
Poderia diferenciar “exploração sexual” e “trabalho como profissional do sexo”?
Existe todo um debate em torno da legalização da prostituição. Grosso modo, uma parte do movimento feminista se contrapõe a essa pauta dizendo que a prostituição coloca e reitera as mulheres e aqueles que usam assim o seu corpo como ganho de vida em um lugar de exploração. E este lugar reitera violências históricas e marca que as mulheres são um corpo a ser usado. Por outro lado, as prostitutas e profissionais do sexo em geral vêm dizendo o seguinte: ‘nós somos profissionais e devemos ter direitos’. Ressaltam também que parte dos avanços que as mulheres tiveram não os atinge no que diz respeito à defesa em situações de violência. A Lei Maria da Penha, por exemplo, se volta a um tipo de violência contra as mulheres que é na relação com o parceiro ou com alguém do âmbito doméstico, não em uma relação de trabalho. Além disso, lembram que há uma subnotificação da violência contra esses grupos: os assassinatos de prostitutas, travestis, transgêneros e transexuais, muitas vezes, são notificados como homicídio e ponto. De fato existe um conjunto de violações que é de difícil apreensão. E há uma dificuldade em colocar todos os envolvidos na mesma mesa, no mesmo diapasão de conversa.
Para além das diferentes posições, o que concretamente tem acontecido com quem trabalha no setor?
No Rio, na região do Porto Maravilha, que está no marco de transformação econômica, aconteceu o básico: as prostitutas e os travestis foram expulsos dos lugares de trabalho, que são as áreas de “requalificação” urbana. Os processos de mudanças urbanas estão muito aderidos à lógica da “higienização” e, portanto, os “marginais da cidade” –os meninos de rua, os usuários de drogas, os catadores de material reciclado, os moradores de ocupações, os profissionais do sexo, os ambulantes, todo esse universo que sobrevive da rua e na rua – não são o perfil deste “novo” lugar que está sendo construído. Não só o Rio, mas todas as cidades grandes e médias do país estão sendo “limpas”, o que quer dizer rigorosamente que estes grupos estão sendo expulsos direta e indiretamente. Este processo responde a questões que dizem respeito ao projeto político e urbano que estrutura esta transformação: “O que eu quero para esse centro urbano? Quem eu quero que viva ali?”. Há atualmente uma intolerância absoluta aos pobres. Enquanto isso, no Centro do Rio, 80% dos imóveis são propriedades da União, e mesmo assim não se constitui uma política habitacional e urbana minimamente descente e republicana, nem digo democrática, para estes espaços, e menos ainda para as faixas de renda entre zero e três salários mínimos. É importante que se diga que parte desta faixa de população é chefiada por mulheres.
Mas as intervenções na cidade por parte do Estado sempre foram revindicadas pela sociedade civil. Quais princípios os governos deveriam seguir?
Sim, sempre foram e isso é um ganho. Depois de anos de ditadura, os movimentos sociais e sindicais foram às ruas pedindo democratização e políticas públicas. Isso a gente não pode esquecer. Entretanto, a constituição deste arcabouço de políticas públicas democráticas e participativas deu-se num contexto de desmonte e de reforma do Estado, de reorganização da economia (que conhecemos grosso modo pelo nome de globalização), de profunda mudança no cenário político e das representações políticas. Ou seja, se construímos políticas públicas e democratizamos o país, vimos também ao longo desses mais de 25 anos um processo radical de privatização da vida. As políticas públicas que construímos foram se desconstruindo por dentro, por assim dizer, ao longo dos anos de 1990 e 2000. É o que fez com que parte das nossas bandeiras, lutas e conquistas começassem a girar em falso. Houve uma mudança no perfil de atuação do Estado, mas isso não significa que ele tenha deixado de ser o grande braço indutor da economia, como quer a ideologia liberal sempre a postos. Mas esta incidência estatal na economia mudou de cara: agora, por exemplo, há mecanismos como as PPPs [Parcerias Público-Privadas]. O Estado segue sendo o grande investidor, aquele que banca efetivamente o desenvolvimento econômico do país através de recursos para “salvar os bancos”, por meio do BNDES, pelas isenções fiscais ou pela regulação e desregulação da legislação de proteção social e trabalhista.
Soma-se a isto o fato de que os investimentos “urbanos” não passam mais pelos mecanismos de participação e debate democrático sobre as cidades que construímos a partir de 88 [promulgação da Constituição]. Nas 12 cidades-sede da Copa e em outros pólos urbanos, os recursos governamentais movimentados não passam pelo Ministério das Cidades, passam apenas pelo PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]; não passam pelos Conselhos Municipais de Habitação ou pelos Conselhos Estaduais e o Nacional das Cidades. Com isso, os investimentos não estão sujeitos ao controle público. Há uma coisa que eu acho importante dizer: temos uma tradição antiga no Brasil em ver as cidades só como vitrine dos problemas. No entanto, este modelo de desenvolvimento adotado precisa de uma cidade caótica. As cidades são, ao mesmo tempo, reflexo e motor de capitalismo no Brasil.
Precisa da compra de mais e mais carros, por exemplo?
Precisa de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) zero para produzir mais carros e de cidades com engarrafamentos monstruosos. E para isso é preciso mais minério. E água privatizada. Tudo tem uma interligação. As cidades são o motor dessa crise, porque ‘se produz mais cidade’ para se produzir uma sociedade industrial, petrolífera, que explore intensamente os recursos naturais. Ao mesmo tempo, as cidades são também o espelho desse modelo de desenvolvimento econômico, que é insustentável e vem dando muitos sinais de que a gente precisa repensar a vida urbana e também a própria sociedade brasileira. As mulheres sentem isto na pele, no cotidiano, sendo importante pensar e agir relacionando esse debate à questão de gênero.