sexta-feira, 18 de abril de 2014

Homenagem: Camarada Gabo, PRESENTE!

Expressão do saber latino-americano, o escritor Gabriel Garcia Marques faleceu ontem, dia 17 de abril de 2014, após uma árdua batalha contra o câncer.

Gabo, como era conhecido, foi um dos escritores mais comprometidos com o social de sua época. Extremamente engajado e solidário ao povo latino-americano e à revolução Cubana, ele foi capaz de mostrar em suas páginas o reflexo e ao mesmo tempo, as utopias de nós, latino-americanos ao aliar em sua obra "o fantástico e o real na complexidade rica de um universo poético refletindo a vida e os conflitos de um continente".

Com sua morte, é deixado um vazio na literatura latino-americana. A América, hoje, entra em cem anos de solidão. Toda solidariedade e homenagem ao companheiro socialista Gabriel García Márquez.

Camarada Gabo, presente!


Opinião: Sobre a desocupação da Favela da TELERJ

Na semana passada tivemos mais um episódio que vem se tornando comum nos últimos anos, no Rio de Janeiro, nos governos de Paes e Cabral. Uma ocupação urbana conhecida como "Favela da TELERJ", localizada no Engenho Novo, zona norte do Rio de Janeiro, foi brutalmente expulsa pela Polícia Militar, sem sequer indício de diálogo. 

O espaço ocupado, é uma área pública, que pertenceu a empresa estatal de telefonia TELERJ, mas que foi privatizada passando a se chamar Telemar, e depois Oi. A Oi por ter a concessão do Estado, tinha a possibilidade de usufruir do local, mas não o fez em nenhum momento, o deixando abandonado durante anos. Isso fere um princípio da Constituição Federal , que é o de que toda propriedade deve atender a uma função social. 

Em julho de 2012, durante campanha eleitoral de Paes, o prefeito, a presidente Dilma e o presidente da Oi assinaram um compromisso em que no terreno seriam construídas mais de 2.000 casas populares para atenderem a população de baixa renda local (conforme mostra reportagem jornal o dia). No entanto a construção das habitações não foi concretizada, e nem as promessas de alugueis sociais e de cadastros das famílias no programa "Minha Casa, Minha Vida" aconteceu.

Depois de dois anos enganados, os moradores criaram então uma ocupação urbana no local. A Favela da TELERJ, como é conhecida, é composta por gente que vive no extremo da pobreza, não tendo sequer um teto pra dormir, e recorrendo a construção de barracos de madeiras para suprir a necessidade de moradia. De repente, a Oi exige o direito de uma propriedade que deixou de lado, que não cumpria função social alguma, e é prontamente atendida da pior forma possível: uma intervenção da Polícia Militar, nos moldes violentos que conhecemos, com bombas e destruição de pertences dos pobres moradores da Favela da TELERJ. 



Devemos nos perguntar: estas famílias que ocuparam o terreno e hoje aguardam a Prefeitura por alguma solução devem ser culpabilizadas por tal ato? Mesmo ainda depois de serem enganadas com falsas promessas? Em uma cidade que vem cada vez mais alavancando um projeto excludente, de especulação imobiliária, em que o número de propriedades vazias é tão alto quanto o número de pessoas sem casas, ou seja, onde morar é um privilégio de alguns, ocupar deve ser um direito!

terça-feira, 15 de abril de 2014

CAHIS Informa: Reforma Estrutural da Sede

Material para a reforma
Como prometido na campanha do CAHIS de 2014, a reforma estrutural já se iniciou nesta quarta feira (09/04). Iniciamos retirando alguns móveis que se encontravam em ruim estado. Retiramos o sofá, a mesa e o armário, para que possamos abrir espaço para os futuros reparos que serão realizados. 

Dito isto, pedimos a paciência e a compreensão de todos os estudantes. Os possíveis transtornos serão sanados em breve com a reforma total do espaço do CAHIS. Pedimos ainda, que os estudantes se juntem a nós na reforma para que ela seja realizada o mais breve possível, marcaremos em breve um mutirão para a limpeza e pintura da sede do C.A. Essa reforma, mais do que uma simples reformulação de estrutura, vem munida de um projeto, iniciado a alguns anos, de valorização da graduação. 

Compreendemos também a importância dos espaços comuns da Universidade para lazer, descanso e confraternização entre os estudantes, pois entendemos que a nossa formação também perpassa por esses momentos de integração. Por isso, pedimos também a colaboração de todxs xs estudantes para a manutenção do espaço, pois esta é uma tarefa de todxs e não só da Gestão do Centro Acadêmico.

terça-feira, 1 de abril de 2014

#50anosdoGolpe: Guerrilha e Luta - A resistência armada

                                                                   

Durante os anos de chumbo da ditadura militar, inúmeros brasileiros optaram por não se resignar e combateram o governo. Foram estudantes, militantes, políticos, e até mesmo alguns membros das forças armadas que iniciaram atividades de guerrilha armada como forma de resistência, a fim de acabar com a ditadura, a repressão, a tortura, e visando o restabelecimento da democracia no Brasil.


Dentre estes muitos heróis nacionais destacamos alguns nomes importantes a serem lembrados como: Carlos Lamarca ( na foto ao lado) , capitão do exército brasileiro, que desertou das Forças Armadas em 1969 por não concordar com o golpe militar e tornou-se um dos comandantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR ), assassinado pela repressão dois anos depois. Carlos Marighella, membro do Partido Comunista Brasileiro, e que após o golpe decidiu romper com o partido, engajando-se na luta armada e fundando a Aliança Libertadora Nacional ( ALN ), sendo assassinado por agentes do DOPS numa emboscada em São Paulo. Para muitos a ALN foi a organização de guerrilha brasileira melhor estruturada. O único comandante ainda vivo dela, é Carlos Eugênio Paz, conhecido como " Comandante Clemente ", que teve que viver 8 anos no exílio, na França. Não podemos esquecer também de outros dois movimentos importantes da luta armada, a Guerrilha do Araguaia ( criada por membros do PC do B ), no norte do Brasil e a Guerrilha do Caparaó ( promovida pelo MNR), na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo.

Para conhecer melhor a vida e história de luta de Marighella, sugerimos o documentário "Marighella: Retrato Falado de um guerrilheiro" de Silvio Tendler.



Embora muitos revisionistas queiram relativizar as atividades de guerrilha e luta armada, acusando-os de terroristas, sequestradores e etc, não há como comparar a resistência a um Estado opressor e de exceção com os crimes que este próprio Estado cometeu. Parafraseando Sobral Pinto " o sequestro é o habeas corpus que nos tiraram".

O CAHIS UERJ relembra esses e todos os outros brasileiros corajosos, que pegaram em armas e arriscaram suas vidas em nome do país e da democracia. Esses brasileiros pagaram caro, muitos com suas vidas, enquanto militares torturadores vivem bem, impunes e recebendo pensão do governo até hoje.

"A única luta que se perde é aquela que abandona" - Marighella

segunda-feira, 31 de março de 2014

#50anosdogolpe - Porque Jango?


No dia 24 de agosto de 1954, morria o presidente Getúlio Vargas. Acompanhando a transferência de seu corpo estava João Goulart, que além de levar a carta testamento de Vargas trazia consigo sua herança política. Sobre esse assunto, sugerimos a leitura do livro "A Janga do Sul: Getúlio, Jango e Brizola" do autor Gilberto Felisberto Vasconcelos. 

“Fomentador de greves, articulador da luta de classes e inimigo do capitalismo”, Jango apresentava raízes nacionalistas e um extremo senso de Justiça social, como pode ser verificado ao analisarmos alguns trechos de seus mais famosos discursos:
"Hoje, com o alto testemunho da Nação e com a solidariedade do povo, reunido na praça que só ao povo pertence, o governo, que é também o povo e que também só ao povo pertence, reafirma os seus propósitos inabaláveis de lutar com todas as suas forças pela reforma da sociedade brasileira. Não apenas pela reforma agrária, mas pela reforma tributária, pela reforma eleitoral ampla, pelo voto do analfabeto, pela elegibilidade de todos os brasileiros, pela pureza da vida democrática, pela emancipação econômica, pela justiça social e pelo progresso do Brasil" (Discurso da Central do Brasil).
No auge da guerra fria e da histeria anti-comunista, ser nacionalista e apresentar a intenção de governar em prol das classes trabalhadoras já era o suficiente para ser enquadrado como Comunista. E justamente pelo receio de uma ‘’esquerdização’’ do país e seguidas reformas de base, a burguesia nacional-periférica brasileira articulou-se e tentou impedir a posse de Jango.

Essa tentativa de golpe foi bravamente enfrentada por Brizola na “Campanha da Legalidade”. Empunhando em uma das mãos uma metralhadora e na outra um microfone, Brizola passa a transmitir e idealizar discursos contra os golpistas e em prol da legalidade do governo de Jango. Frente a mobilização popular, Jango toma posse exaltando essa articulação e direcionando seu governo em prol dessa classes:
“Souberam Vossas Excelências resguardar, com firmeza e sabedoria, o exercício e a defesa mesma do mandato que a Nação lhes confiou. Cumpre-nos, agora, mandatários do povo, fiéis ao preceito básico de que todo o poder dele emana, devolver a palavra e a decisão à vontade popular que nos manda e que nos julga, para que ela própria dê seu referendum supremo às decisões políticas que em seu nome estamos solenemente assumindo neste instante” (Discurso de posse do Presidente João Goulart).
Para mais detalhes sobre o governo de João Goulart, sugerimos o documentário feito por Silvio Tendler, disponível no Youtube na íntegra:



Mas bem, porque Jango foi deposto? Dentre as diversas discussões historiográficas sobre o período, a melhor resposta é: Jango efetuaria uma nova independência do Brasil, colocando o progresso do País junto ao povo. 

As elites brasileiras não aceitavam que um líder de massas tocasse a frente um projeto de nação menos desigual e com o desenvolvimento do trabalho em detrimento ao capital. A direita então percebeu que as reformas estruturais propostas por Jango levariam a uma contradição irreconciliável com o modo de produção que os colocavam no topo da pirâmide. 

A campanha subterrânea dos grupos internacionais, que acreditavam e temiam a possibilidade do Brasil viram uma “Nova Cuba” aliou-se à mobilização das elites nacionais-periféricas. A lei de lucros extraordinários foi detida no congresso. Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. A Petrobras sofre com ondas de agitações. Estava montado o cenário. Essa articulação internacional feita pelos Estados Unidos ficará mais clara ao assistirmos o documentário dirigido por Camilo Galli, também disponível no Youtube, "O dia que durou 21 anos".



Após dez anos da tentativa de golpe e o suicídio de Getulio, as elites brasileiras em concluio com o imperialismo voltaram a depor um presidente. Aquele momento, em 1964, a situação, para elas, estava insustentável. O Comício da Central e as reformas de base tencionariam, de vez, o capitalismo dependente brasileiro. Nesse sentido, golpear o projeto nacionalista se fazia mais do que necessário pela direita Brasileira. A favor do golpe uniram-se os políticos da elite, militares conservadores e o imperialismo. Lembrar-se de João Goulart é deixar claro quem foram seus inimigos, os arquitetos da Ditadura, que ainda estão no poder em nosso Brasil. Que nunca foram retirados do poder econômico da nossa nação e que impedem qualquer mudança política em nosso Brasil.