quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Nota de repúdio ao racismo contra o atleta Tinga

Nota em repúdio ao racismo cometido contra o atleta Tinga:

Na ultima quarta-feira (12/02/2014), na partida contra o Real Garcilaso, realizada no Peru pela Copa Libertadores da América, o meio-campista do Cruzeiro Esporte Clube, Tinga, foi vitima de um racismo escancarado: Quando tocava na bola, sons que imitavam um macaco ecoavam pela arquibancada. O referido jogador, ao final da partida, afirmou : “Eu queria não ganhar todos os títulos da minha carreira e ganhar o título contra o preconceito contra esses atos racistas. Trocaria por um mundo com igualdade entre todas as raças e classes”. Infelizmente, essa mazela enraizada na sociedade de classes, também se amplia ao futebol.

Infortunadamente, o futebol, desde sua gênese em fins do século XIX, foi acompanhado pelo racismo e pela segregação de um grupo de pessoas que desejavam participar do esporte. No futebol brasileiro isso não foi diferente. Desde a exclusão de atletas negros para convocações da seleção brasileira nos anos 20, com a prerrogativa de que a nação brasileira não poderia ser identificada por “pessoas de cor”, até os xingamentos proferidos contra o atleta do Cruzeiro, os negros sempre foram alvos de preconceito no meio futebolístico.

No futebol brasileiro, as evidências mais descaradas de racismo foram durante o período de tensão envolvendo o profissionalismo e o amadorismo, muito porque, e até de maneira contraditória, esse histórico momento de ruptura foi marcado pela entrada de negros e de atletas oriundos das camadas mais baixas da sociedade, fazendo até então com que o esporte de identificação social da Elite, se pintasse de negro e de pobre.

Falar de futebol e racismo e não citar dois exemplos categóricos é tornar qualquer tentativa de análise da temática incompleta. O primeiro desses exemplos é a atitude histórica realizada pelo Club de Regatas Vasco da Gama. No ano de 1923, o clube da Colina Histórica contando com 12 jogadores que não correspondiam aos anseios de sportman da elite carioca, representada, principalmente, pelo Fluminense Football Club, vence o campeonato carioca e promove um rebuliço nas estruturas hegemônicas do futebol carioca.

A reação não demorou a chegar e, no ano seguinte, após uma articulação política envolvendo principalmente Pollo, dirigente do Fluminense, a AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Athleticos) é criada e o Vasco se vê expulso e impedido de jogar na associação. É quase unanimidade entre historiadores, exceto por Antonio Jorge Soares e sua visão obsoleta de história, que a discussão estava além do profissionalismo e do amadorismo, era também uma questão de identidade social de uma elite entrincheirada com o avanço dos negros no futebol; era uma questão de classe e racismo.

Frente a isso, o CRVG, através do seu presidente José Augusto Prestes, emite uma carta histórica comunicando que, em defesa dos seus atletas, desistiria de participar da AMEA.

Outro exemplo que merece destaque é a resistência de atletas, como por exemplo, o fenômeno Leônidas da Silva. Nesta conjuntura adversa, o diamante negro, claramente reconhecido e autointitulado como boleiro, termo esse utilizado em oposição ao sportman, com sua resistência e habilidade virou ícone e representava uma tensão e uma critica ao modelo inglês de futebol que a elite apreciava. 

Leônidas da Silva era mais que um jogador, era um craque. Apresentando um futebol popular e divertido, o nosso querido ídolo e atleta limpava os gramados do racismo e conservadorismo, contribuindo, cada vez mais, para que o futebol apresentasse uma feição mais brasileira.

Nesse sentido, o CAHIS-UERJ presta sua solidariedade ao atleta do Cruzeiro e repudia veementemente qualquer manifestação de racismo em práticas desportivas. Além disso, exaltamos e torcemos para que apareçam mais figuras históricas e de resistência, como o Club de Regatas Vasco da Gama , como o atleta cruzeirense Tinga e o grandioso boleiro Leônidas da Silva que exerceram uma critica e uma resistência frente ao racismo e ao conservadorismo no futebol brasileiro.

CAHIS convida: Trabalho de Campo "Resistir é Preciso"


O ano de 2014 marca muitas datas a serem lembradas e debatidas. Uma dessas datas, dia 01/04/2014 marca os 50 anos de um momento sombrio, que muitas vezes passa por tentativas desonestas e macabras de ser apagado, varrido da história do Brasil e minimizado: o Golpe Militar. 

Nós do CAHIS-UERJ achamos esse período deve ser lembrado, discutido e, sobretudo, revelado. Para que mentiras não sejam recontadas. Para que a memória daqueles que tiveram suas vidas ceifadas, seja trazida de volta a luz. Para que crimes sejam esclarecidos e punidos.

E para dar início as atividades do CAHIS sobre os 50 anos do Golpe Militar no Brasil, convidamos a todos para mais um Trabalho de Campo. Nosso destino será a exposição realizada pelo Centro Cultural do Banco do Brasil, intitulada “Resistir é Preciso”. Theotonio dos Santos, economista e cientista político brasileiro, será nosso guia. 

Nosso objetivo com esse trabalho de campo é discutir e explorar, com base na exposição, esse tema tão importante, porém tão ignorado pelo nosso currículo.

“Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia”
 Chico Buarque


Trabalho de Campo – “Resistir é preciso”
Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/278404122314240

Exposição que marca os 50 anos da ditadura militar no Brasil (1964-1985) idealizada pelo Instituto Vladimir Herzog, apresentando as lutas pela reconstrução da democracia por meio das artes plásticas, obras de fotojornalismo, videodepoimentos e documentação do período.Curadoria de Fábio Magalhães. 
(http://culturabancodobrasil.com.br/portal/eventos/artes-visuais/resistir-e-preciso-3)


Dia 19/03/2014 – quarta-feira


Guia: Theotonio dos Santos
Início: 11:00 h - Término: 12:00 h

Pontos de encontro: 

- 10:00 h – UERJ, na Sede do CAHIS, para quem não sabe chegar lá (haverá membros do CAHIS esperando e organizando. Iremos de metrô.)
- 10:30 h – Centro Cultural do Banco do Brasil, Rua Primeiro de Março, 66 – Centro (nos encontramos no Hall da Livraria Travessa)


Organização:


- Nosso trabalho de campo começa as 11:00 h em ponto. 


Contatos: 

982570779 (Marina)
983838542 (David)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

CAHIS informa: Calendário Acadêmico 2014.1

Pois é. Mal acabou 2013.2 (em 2014, diga-se de passagem), já precisamos nos preocupar com aquelas datas de sempre. Muita gente veio nos perguntar, com muitas dúvidas. Bom, o Calendário Acadêmico de 2014 foi aprovado há poucos dias atrás, por isso não tínhamos essas respostas antes.

Aqui vai um resumo das datas mais importantes (e preocupantes):


Lembramos aos calouros que as primeiras inscrições em disciplinas são feitas na Secretaria do IFCH. A partir do 2º período é que vocês passam a utilizar o Aluno Online.

Para mais datas e maiores informações, segue o link do Calendário Acadêmico, pelo site da UERJ: http://www.uerj.br/comunidade/arquivos/ca2014/

CAHIS informa: Despedida do professor Paulo Seda

Como alguns alunos já sabem, 2014 trouxe um novo curso a UERJ: Arqueologia. 

O professor Paulo Seda (que além de professor estava a frente do Departamento de História) deixará o nosso curso para se dedicar a construção do curso Arqueologia e nos pediu para que publicássemos, a todos os alunos de História, sua carta de despedida. 

Desejamos sorte nessa nova empreitada e agradecemos por ter cumprido seu papel como professor no curso de História. O professor Paulo Seda, merecedor de todas as homenagens e desejos de boa sorte, cumpriu plenamente com seu ofício de historiador e professor e, em tempos como esse, simplesmente cumprir com seu papel e função social é digno de todas as felicitações.