O povo paga com vidas
João Pedro Stedile: Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Rio - O povo brasileiro paga com vidas pelos crimes ambientais. O início de ano está sendo uma desgraça. Dezenas de mortos, em especial no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Apesar de toda propaganda de “modernismo”, no Brasil ainda se morre pela chuva, e todas as mortes poderiam ser evitadas.A televisão expõe apenas os sentimentos e as dores da população e esquece-se de debater porque esses problemas ambientais acontecem. Por que a população tem que pagar com vidas pelos crimes ambientais do modelo econômico?
Por que, num país de dimensões continentais, famílias precisam construir casas nos morros, encostas e beira de rios? Quem deu a licença para construir as pousadas na Ilha Grande, em reserva ambiental?
No Brasil, há um processo de expulsão e exclusão permanente da população pobre do acesso à terra e à moradia. Primeiro, concentram a terra e expulsam a população do interior para as regiões metropolitanas.
Nas cidades, a história se repete. Os pobres não têm como pagar aluguel. Não há casa para trabalhador, e o povo constrói nas encostas.
Em São Paulo, 400 mil imóveis estão vagos e fechados, e o déficit habitacional no País é de dez milhões de moradias. O programa de construção de um milhão de casas é bom, mas insuficiente.
Não há solução paliativa. É preciso mudar o modelo econômico. Fixar a população no interior.
Fazer uma reforma agrária e urbana, que garanta o direito à terra e à moradia para todos, sem agredir a natureza.Enquanto isso não acontece, os políticos de plantão seguirão com suas demagogias, escondendo suas responsabilidades. E, a cada ano, resta ao povo, o choro. Até que um dia ele se canse.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Aos interessados em ir ao Fórum Social Mundial 2010
Os estudantes interessados em irem ao Fórum Social Mundial 2010 em Porto Alegre (entre 25 e 29 de janeiro) deverão realizar sua inscrição pelo site www.fsm10.org até o dia 15/01/2010.
Feito isso, para conseguir um lugar no ônibus da UERJ, o aluno deve enviar um email para dceuerjfsm2010@gmail.com com nome completo, RG, RID (2009/2) e comprovante de inscrição no Fórum até a data limite de 11/01/2010. As vagas no ônibus são limitadas e só disponíveis a alunos com matrícula ativa em 2009/2.
A organização do ônibus está a cargo do DCE UERJ - gestão Um Novo Enredo
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Horário 2010/1 e Solidariedade com as vítimas das chuvas
A UERJ está arrecadando doações para as vítimas das chuvas em Angra dos Reis e Parati. As doações podem ser roupas, sapatos, alimentos não perecíveis e produtos de higiene pessoal. As doações devem ser depositadas no cercadinho que está localizado no hall do queijo.
A partir de segunda-feira (dia 11/01) estará disponível na xérox do CAHIS o horário 2010/1. Mais uma conquista dos estudantes. Desde de 2007, quando o CAHIS solicitou participar da formulação do horário junto com os professores, que podemos disponibilizar o mesmo com antecedência aos estudantes, além de evitar conflitos de horários entre as matérias de cada período.
A partir de segunda-feira (dia 11/01) estará disponível na xérox do CAHIS o horário 2010/1. Mais uma conquista dos estudantes. Desde de 2007, quando o CAHIS solicitou participar da formulação do horário junto com os professores, que podemos disponibilizar o mesmo com antecedência aos estudantes, além de evitar conflitos de horários entre as matérias de cada período.
Atenção Cotistas que Ainda Não Pegaram os Livros!
Os estudantes cotistas que ainda não pegaram os livros que têm direito, devem retirá-los no Departamento de História (Sala 9023 B) até a data limite de 15/01/2010. Após essa data, os livros que sobrarem serão doados à biblioteca e sorteados entre os alunos do curso.
Conferência do Clima: Crônica de uma Morte Anunciada

Decepção. Essa é a palavra que define as duas semanas da décima quinta Conferência da ONU para Mudanças Climáticas (COP 15) realizada entre 07 e 19 de dezembro em Copenhague, Dinamarca.
A reunião a qual se criou a expectativa de ser o palco para a formulação de um tratado que definisse os meios para uma redução na emissão de gases causadores do efeito estufa terminou sem consenso. Pior, sem qualquer medida concreta para alcançar o seu objetivo maior.
O desastre já havia sido enunciado. Os Estados Unidos, maiores poluidores, foram para a COP 15 sem regras definidas dentro do seu próprio país, já que a proposta tímida do presidente Obama para redução das emissões não foi ainda aprovada pelo legislativo norte-americano. A direção da Conferência pelo governo xenófobo e racista (os muçulmanos que o digam) da Dinamarca não mostrou pulso firme, pavimentou o caminho para um “acordão” entre os países ricos e ainda tentou, mais de uma vez, obstruir o direito ao pronunciamento dos mais pobres.
Protestos nas ruas de Copenhague em todos os dias da ConferênciaA coisa já não cheirava bem quando tentaram colocar o Protocolo de Kyoto pra escanteio, logo no início dos trabalhos. Diferentes interesses estavam em jogo. Haviam os países industrializados (Estados Unidos, Canadá, Japão e União Europeia), as nações classificadas como “em pleno desenvolvimento” (China, Índia, Brasil e África do Sul); e o G – 77 (grupo dos 130 países mais pobres do mundo presidido pelo Sudão). Cada um desses grupos tem um peso diferenciado na poluição do mundo, logo cada um deveria contribuir de maneira específica para conter as mudanças climáticas.
Notoriamente, o presidente estadunidense, Barak Obama fez o papel mais lamentável da conferência. Propostas nulas, não assumindo a posição histórica de maior culpado pelo aquecimento global e ainda invadindo uma reunião dos países “em pleno desenvolvimento”, o que irritou os chineses. Obama exigia uma inspeção nos fundos que fossem destinados a esses países, mesmo quando financiados a âmbito nacional, o que soou aos chineses como intromissão em assuntos internos. No final, a inspeção foi trocada pelo termo “consulta”.
O Acordo final se quer pode ser chamado dessa forma. Por não ter sido aceito em plenário, visto que foi concebido em reuniões entre os ricos e os “emergentes”, a assembleia rejeitou o projeto. Para não acabar sem nada nas mãos, o secretário geral das Nações Unidas, o sul-coreano Ban Ki Moon, “tomou nota” do acordo, como uma carta de intenções. Venezuela, Bolívia e Cuba, assim como o G-77 denunciaram que o acordo não compromete nenhum país a nada, são somente palavras ao vento. Também relataram a forma antidemocrática que foi conduzida a COP 15, com mais reuniões às escuras do que propostas no plenário.
Notoriamente, o presidente estadunidense, Barak Obama fez o papel mais lamentável da conferência. Propostas nulas, não assumindo a posição histórica de maior culpado pelo aquecimento global e ainda invadindo uma reunião dos países “em pleno desenvolvimento”, o que irritou os chineses. Obama exigia uma inspeção nos fundos que fossem destinados a esses países, mesmo quando financiados a âmbito nacional, o que soou aos chineses como intromissão em assuntos internos. No final, a inspeção foi trocada pelo termo “consulta”.
O Acordo final se quer pode ser chamado dessa forma. Por não ter sido aceito em plenário, visto que foi concebido em reuniões entre os ricos e os “emergentes”, a assembleia rejeitou o projeto. Para não acabar sem nada nas mãos, o secretário geral das Nações Unidas, o sul-coreano Ban Ki Moon, “tomou nota” do acordo, como uma carta de intenções. Venezuela, Bolívia e Cuba, assim como o G-77 denunciaram que o acordo não compromete nenhum país a nada, são somente palavras ao vento. Também relataram a forma antidemocrática que foi conduzida a COP 15, com mais reuniões às escuras do que propostas no plenário.

"Não existe planeta B”
O que foi colocado no papel é o reconhecimento de que os países devem evitar que a temperatura do planeta aumente em 2 Cº até o final do século XXI. Como isso será feito, no entanto, ninguém assumiu nada. Foi acordado também o compromisso dos ricos em financiarem a luta contra o desmatamento nos países pobres e a criação de um fundo para captação de recursos para ajudar as nações mais pobres contra os problemas gerados pela mudança climática. Alguns países ricos anunciaram doações para esse fundo, no entanto, todas aquém do necessário, esperando auferir o restante do dinheiro necessário no mercado (?!)
Frente a esse antidemocrático jogo encenado pelos países ricos, cabe relatar a heróica resistência dos manifestantes de toda parte do mundo que marcaram presença na capital dinamarquesa e levaram às ruas protestos em todos os dias do encontro.
A próxima Conferência do Clima (COP 16) está marcada para o final de 2010 na Cidade do México. Esperamos que lá se chegue a um acordo que realmente delimite metas concretas e que os países ricos assumam a sua culpa nesse problema. As consequências de um novo erro seriam catastróficas.
O que foi colocado no papel é o reconhecimento de que os países devem evitar que a temperatura do planeta aumente em 2 Cº até o final do século XXI. Como isso será feito, no entanto, ninguém assumiu nada. Foi acordado também o compromisso dos ricos em financiarem a luta contra o desmatamento nos países pobres e a criação de um fundo para captação de recursos para ajudar as nações mais pobres contra os problemas gerados pela mudança climática. Alguns países ricos anunciaram doações para esse fundo, no entanto, todas aquém do necessário, esperando auferir o restante do dinheiro necessário no mercado (?!)
Frente a esse antidemocrático jogo encenado pelos países ricos, cabe relatar a heróica resistência dos manifestantes de toda parte do mundo que marcaram presença na capital dinamarquesa e levaram às ruas protestos em todos os dias do encontro.
A próxima Conferência do Clima (COP 16) está marcada para o final de 2010 na Cidade do México. Esperamos que lá se chegue a um acordo que realmente delimite metas concretas e que os países ricos assumam a sua culpa nesse problema. As consequências de um novo erro seriam catastróficas.
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