Mostrando postagens com marcador CAHIS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CAHIS. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de agosto de 2014

Opinião: Não confundir liberdade de expressão com discurso de ódio

Há uma semana, o CAHIS realizou um plebiscito para que fosse decidido se o espaço da sede do Centro Acadêmico poderia ser utilizado pelos alunos para livre expressão em sua totalidade ou apenas uma parte. Ficou decidido, então, através da votação, que o espaço em sua totalidade poderá ser utilizado livremente. 

No entanto, esta semana nos deparamos com um fato lamentável: uma foto do general, assassino e ditador Geisel, foi colocada na sede do CAHIS, e justamente 50 anos após o inicio desse obscuro capítulo. Repudiamos esta atitude inaceitável! 

Não conseguimos conceber que um estudante de História possa defender o regime militar que tantas atrocidades cometeu, e tanto mal causou a este país, interrompendo um projeto de nação e deixando graves consequências até os dias de hoje. Não conseguimos acreditar também que isso possa ter sido algum tipo de piada, pois se foi, foi de um tremendo mau gosto! É no mínimo contraditório, logo após uma decisão de que o espaço serviria para livre expressão dos alunos, alguém tenha colocado a foto de um homem que simboliza um dos períodos mais obscuros da história do país, que cerceou a LIBERDADE de inúmeros brasileiros!

Liberdade de expressão não pode ser confundida com o direito de defender uma ditadura, que ceifou vidas e privou a liberdade. Não podemos confundir liberdade de se expressar com liberdade de oprimir. Não podemos achar que discurso de ódio pode ser aceito. As viúvas da ditadura existem e caminham pelo nono andar. O Fascismo enfim sai do armário. Fascistas não passarão!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Opinião: Vitória dos Sujos

Nesta terça-feira (22/07), o CAHIS mobilizou os estudantes para o Conselho Departamental do IFCH - instância composta pelo Diretor e Vice do IFCH, pelos Diretores dos Departamentos de História, Ciências Sociais, Filosofia, Relações Internacionais e Arqueologia como também por um membro discente de cada curso e que é a instância imediata acima da Reunião de Departamento - para reivindicarmos a liberação dos estudantes ao ENEH, pois na semana passada os professores presente na Reunião Departamental do curso de História haviam negado aos Estudantes a liberação dos dias de translado a Fortaleza e liberaram apenas os dias de programação oficial do Encontro.

Ressaltamos a importância da presença dos estudantes de História, organizados pelo CAHIS, na reunião do Conselho Departamental, pois, mesmo que não tivessem direito a voto, ajudaram na pressão sobre os Conselheiros. Isso só reforça o quão a organização é fundamental para conquistarmos todas as demandas do Movimento Estudantil. 

A Chefe do Departamento de História, Professora Beatriz Vieira, estava presente no Conselho e teve uma atitude que consideramos inadequada e lamentável para uma Professora Doutora, que é a representante do nosso Departamento. A professora repetiu a postura infeliz do conjunto dos Professores presentes na fatídica Reunião do DHis e o argumento da negociação particular entre estudantes e professores para definir a liberação ou não nos dias do translado para o Ceará. 

Consideramos que esse argumento é oriundo de um pensamento que visa subjugar os estudantes a relações de poder com os professores - relação em que obviamente estamos em desvantagem - e perpetuar essa relação hierárquica que tanto tentamos romper em nosso Departamento, na qual o professor tem o poder de conceder ou não a liberação ao Estudante. Caso essa proposta também passasse no Conselho Departamental, não há dúvida que muitos professores iriam passar provas e dar faltas a esses estudantes, o que ficou claro com a manifestação de alguns professores na Reunião do DHis quando essa proposta foi aprovada. 

O CAHIS rejeitou incisivamente essa decisão apresentada em tom de imposição no Conselho Departamental e fizemos a seguinte pergunta: “Então porque os professores não param de pedir liberação ao Departamento e ao IFCH e negociam as suas inúmeras viagens com seus alunos?” Ao invés de uma resposta ouvimos uma acusação agressiva da professora Beatriz Vieira que ofendeu os conselheiros discentes chamando-os de "sujos". 

Imaginem um aluno ter que negociar isoladamente a liberação para uma viagem com um professor que trata com tais palavras os estudantes organizados para defender o interesse de seus pares. 

Felizmente os demais Conselheiros Docentes e Discentes presentes no Conselho Departamental tiveram mais bom senso do que a Professora Beatriz Vieira e outros professores presentes na Reunião de Departamento e se posicionaram a favor da liberação integral - translado e evento - dos estudantes que vão ao Ceará para XXXIII Encontro Nacional de Estudantes de História. 

Essa postura autoritária e insensível aos interesses dos estudantes é a mesma que vem sendo usada, até o momento, no que diz respeito à Reforma Curricular. A verdade é que o corpo docente, em sua maioria, desqualifica e menoriza a iniciativa dos estudantes. Nossa reforma está parada pela negligência deliberada com tal proposta que é oriunda da vontade dos estudantes de História da UERJ de ter um currículo mais adequado às demandas de ensino do nosso povo e menos afeito ao eurocentrismo. Assim sendo, temos que tirar a lição que apenas com firmeza na defesa dos interesses dos estudantes e a participação estudantil maciça nos espaços de deliberação que alcançaremos nossas vitórias! 

Centro Acadêmico de História - Gestão Filhos da Pública

terça-feira, 15 de julho de 2014

Opinião: Nota do Comitê pela Libertação dos Presos Políticos

Nota do Comitê pela Libertação dos Presos Políticos

Liberdade imediata de todos os presos políticos!

No dia 12 de julho de 2014, o aparato de repressão do Estado deu mais uma demonstração de abuso, ampliando ainda mais o Estado de exceção no Rio de Janeiro. Somaram-se aos presos políticos que já haviam sido arbitrariamente encarcerados, mais outras dezenas de ativistas. Sem nenhuma prova, sem nenhuma justificativa material, esses ativistas tiveram suas casas invadidas, e até arrombadas, por policiais fortemente armados e foram levados para imediata prisão, sem que houvesse a garantia dos mínimos direitos básicos.

A mega operação montada para intimidar e perseguir ativistas teve como objetivo impedir manifestações, particularmente a manifestação marcada para o dia da final da Copa, criando um absurdo jurídico, em que pessoas são presas acusadas de crimes que sequer ocorreram.

Após uma investigação policial que se iniciou em setembro de 2013 e toda a encenação e cumplicidade da imprensa reacionária na tentativa de criminalizar os movimentos populares, não conseguiram forjar nenhuma prova contra os presos. Dentre as “apreensões” estavam jornais, livros, máscaras de gás, equipamentos eletrônicos e bandeiras, ficando claro o caráter político das prisões. Uma arma apresentada repetidamente pela televisão era de um segurança patrimonial com porte legal de arma, parente de um dos presos. Apenas com esse fato tentou-se forjar a falsa acusação de quadrilha armada.

Entre os presos e perseguidos estão: professores de rede estadual que participaram da última greve, estudantes das universidades e escolas públicas, membros de centros acadêmicos e grêmios estudantis, professores universitários, advogados, profissionais de saúde e outros trabalhadores sindicalizados e atuantes nos movimentos populares.

Frente a situação de aberta perseguição política que essa operação da polícia demonstrou, é tarefa de todos que defendem o direito a livre manifestação somarem-se ao mais veemente repúdio às prisões políticas.

É papel de todos defender a imediata liberdade de todos os presos políticos.

Assinam: Centro Acadêmico de Geografia (UERJ), Centro Acadêmico de Filosofia (UERJ), Centro Acadêmico de Serviço Social (UERJ), Centro Acadêmico de História (UERJ), Diretório Acadêmico de Letras (UERJ).

terça-feira, 15 de abril de 2014

CAHIS Informa: Reforma Estrutural da Sede

Material para a reforma
Como prometido na campanha do CAHIS de 2014, a reforma estrutural já se iniciou nesta quarta feira (09/04). Iniciamos retirando alguns móveis que se encontravam em ruim estado. Retiramos o sofá, a mesa e o armário, para que possamos abrir espaço para os futuros reparos que serão realizados. 

Dito isto, pedimos a paciência e a compreensão de todos os estudantes. Os possíveis transtornos serão sanados em breve com a reforma total do espaço do CAHIS. Pedimos ainda, que os estudantes se juntem a nós na reforma para que ela seja realizada o mais breve possível, marcaremos em breve um mutirão para a limpeza e pintura da sede do C.A. Essa reforma, mais do que uma simples reformulação de estrutura, vem munida de um projeto, iniciado a alguns anos, de valorização da graduação. 

Compreendemos também a importância dos espaços comuns da Universidade para lazer, descanso e confraternização entre os estudantes, pois entendemos que a nossa formação também perpassa por esses momentos de integração. Por isso, pedimos também a colaboração de todxs xs estudantes para a manutenção do espaço, pois esta é uma tarefa de todxs e não só da Gestão do Centro Acadêmico.

domingo, 30 de março de 2014

#50anosdogolpe: Semana de Luta pela Memória, Verdade e Justiça


O dia 31 de Março deve ser sempre relembrado. Nessa data, um golpe militar foi deflagrado contra o governo democraticamente eleito de João Goulart, rompendo assim com um mandato que, além de buscar idealizar um novo projeto de nação, tinha como pretensão a justiça social que seria alcançada com as reformas de base do governo Janguista.

Em um país onde 91% das pessoas não conseguem atingir o ensino superior, uma reforma universitária se faz mais que necessária. A universidade precisa ser repensada, precisa se “pintar de negro e camponês” e servir como um meio do Brasil atingir sua autonomia.

Em um país onde os trabalhadores rurais encontram-se em miséria e grande parte das terras ou é improdutiva ou está nas mãos de grandes latifundiários, a reforma agrária é de extrema urgência e deve apresentar um caráter popular para que o acesso a terra seja garantido a todos aqueles que nela trabalham.
Em um país onde os níveis de concentração de renda e desigualdade social são extremos, as reformas de base são um dos meios capazes de reverter essa situação. Além disso, nesse momento, torna-se mais que urgente uma reforma política capaz de tornar os anseios e utopias das classes mais baixas em realidade.

Nessa conjuntura, por que teríamos que relembrar essa data obscura? Deve-se relembra-la com a intenção de retomarmos, cada vez mais, o fio da história que foi interrompido pela ditadura militar. Nesse sentido, o dia 31 de Março deve ser um dia de luta: Um dia de lutar pela justiça social, um dia de lutar por uma democracia participativa, pelas reformas de base, por um projeto de nação mais igualitário e por uma nova independência do Brasil.

E num exercício de retomada desse fio da história e numa tentativa de lutar por um resgate da memória de nosso país, iremos idealizar, entre os dias 31 de março e 04 de abril, em nossas mídias sociais, uma série de postagens que se remeterão às pessoas que lutaram contra a ditadura.

Juntamente da rememoração virtual, o CAHIS-UERJ realizará uma série de eventos ao longo dessa semana, em com outros representantes do movimento estudantil, como o DAHIS-UFRRJ e CAMMA-UFRJ, e com o apoio de organizações como FEMEH, OAB-RJ, dentre outras, com o objetivo de discutir, sempre com olhar crítico, esse que foi o período mais sinistro da história de nosso país. Sendo assim, contaremos não só com especialistas no assunto, como os professores Oswaldo Munteal (UERJ) e Mathias Seibel Luce (PPGH-UFRGS), mas também com pessoas que viveram e lutaram contra a opressão desse período, como os guerrilheiros da ALN e da Guerrilha do Caparaó, a verdadeira história viva da resistência. Organizaremos também uma mobilização para o ato contra a comemoração do golpe no Clube Militar do Rio de Janeiro. 

Para que não se esqueça! Para que nunca mais aconteça!

sexta-feira, 21 de março de 2014

CAHIS Convida: Mutirão de Limpeza e Pintura da sede do CAHIS


Quem frequenta a sede do CAHIS sabe que esse espaço é bastante importante para xs alunxs, não só por ser mais um dos nossos espaços de discussão, mas também por ser um espaço de socialização e claro, diversão e relaxamento enquanto a aula não começa ou quando o professor te deixa na mão e não vai dar aula. 

Uma das principais propostas da Gestão Filhos da Pública sempre foi a valorização desse espaço, assim como dos outros espaços comuns da graduação. Isso nos encaminha pra questão da valorização da graduação como um todo, que vai muito além das questões curriculares e cientificas, chegando justamente a essa questão estrutural. 

Já demos alguns passos em relação a reforma estrutural, com a instalação do ar condicionado e a retirada do quadro antigo. Mas ainda faltam algumas coisas.

Por isso estaremos fazendo amanhã nosso ''Mutirão de Limpeza e pintura do CAHIS". Limparemos e começaremos a renovar a pintura da nossa tão querida sede!

Contamos com a presença e participação de todxs os alunxs que utilizam o espaço e entendem a importância da reforma do mesmo para o nosso curso! Acreditamos que essa participação seja importante para que o a manutenção e a limpeza sejam mantidas futuramente, por todos aqueles que sabem que fazem parte e utilizam o espaço. 

Quem quiser chegar junto, fique a vontade! 

(Para quem está chegando agora, a sede do CAHIS fica no nono andar mesmo, no mesmo local onde fica a Xerox do Denilson e a lanchonete)


domingo, 16 de março de 2014

Opinião: Sobre o trote


No início de todo ano letivo das mais diversas universidades do país, seja ela pública ou privada, acontece uma prática muito comum, ora perigosa ora até inofensiva, que em determinados momentos ganha destaque na mídia, o trote, prática recorrente desde os tempos da Idade Média europeia, já há algum tempo vem trazendo dores de cabeça e divergências tanto para os estudantes universitários, professores e órgãos da administração universitária.

Comumente justifica-se a prática do trote como uma “iniciação”, “um rito de passagem” do calouro que está entrando num determinado curso da universidade e saindo do ensino médio, ou também uma forma de socialização entre os calouros e os veteranos do curso. O calouro que está entrando na universidade “em tese” através do trote, poderia se socializar e conhecer seus veteranos e os mais diversos espaços da universidade, sendo assim se integrando ao espaço universitário.

Essa lógica seria muito bonita se não ficasse apenas na teoria, o que acontece muitas vezes na realidade são práticas degradantes, desmoralizadoras e violentas, sem contar que em grande parte dos trotes existe claramente a prática do machismo, da homofobia, do racismo e do preconceito de classe. É verdade também que existem “trotes” mais “elaborados” e com um objetivo de uma real introdução na comunidade, como por exemplo o trote social, onde veteranos e calouros praticam alguma ação positiva, como doar sangue, limpar a redondeza, etc, recentemente teve até o episódio de pintura corporal, onde veteranos pintavam verdadeiras obras de arte nos calouros.

Não obstante, as práticas degradantes acontecem em geral de forma muito recorrente, como por exemplo, na UFMG, em 2013, onde veteranos do curso de direito pintaram os calouros de preto e os amarravam com uma plaquinha, com o nome de “escravo do veterano x”, mostrando claramente um racismo embutido no trote. Quem nunca ouviu falar de trotes machistas e misóginos, como exemplo fazer com que calouras fingirem que estão praticando sexo oral em algum objeto, ou mesmo fazendo perguntas de cunho privado em público. Como também podemos ver práticas de homofobia, muitas vezes pelo fato do calouro ser gay, sofrer certa discriminação. Esses exemplos fatídicos estão aí para qualquer um ver, basta pesquisar e observar todo inicio de ano letivo. Muitos podem afirmar que o trote é opcional, ninguém é obrigado a fazer, todavia temos que entender que os calouros de certa forma se sentem “coagidos” a participarem, pensam que serão excluídos ou mal vistos, e acabam participando do trote.

Temos que defender sim a integração dos novos alunos dentro da comunidade universitária, mas de forma sadia e inteligente, como elaborando palestras, conversas, até mesmos festas, nada que possa constranger o calouro. E temos sim de combater todas as práticas machistas, homofóbicas e racistas dentro da universidade, lembrando que uma “simples” brincadeira carrega uma carga ideológica muito grande. Ademais, podemos e devemos contribuir para uma universidade melhor e mais participativa.

Sejam bem-vindxs, calourxs de 2014!

sexta-feira, 14 de março de 2014

#SemanadeLutadasMulheres - Feminismo Lésbico


Sexto dia da #SemanadeLutadasMulheres do CAHIS. Hoje, falaremos um pouco mais sobre feminismo lésbico, sobre os estigmas e preconceitos que uma mulher lésbica sofre na nossa sociedade.

Além da misoginia e do machismo, elas também passam por diversas situações de lesbofobia, e sua visibilidade é comprometida até mesmo dentro do movimento LGBTTT, que vem recebendo algumas críticas por suas manifestações estarem centralizadas na luta dos homens gays. O que mostra que mesmo nesse espaço de militância de grupos marginalizados e oprimidos, ainda sim as mulheres são silenciadas e tratadas como invisíveis.

É importante destacar também que a sexualidade e os relaciomentos de mulheres lésbicas são sempre colocados sob uma perspectiva heteronormativa* e fetichizados. Como diz Erykah Badu "as pessoas se incomodam com a sexualidade que não é para o consumo masculino".
Muitos tem dificuldade de entender como mulheres podem ser felizes e realizadas sem a presença de um homem em suas vidas. Lésbicas são vistas como pessoas incapazes de amar e que apenas se relacionam para o sexo, e o sexo da indústria pornográfica, voltado para o público masculino. Ou ainda são tratadas como mulheres insatisfeitas e frustradas que tentam ser homens. O que além de ser extremamente lesbofóbico, também é equivocado, pois identidade de gênero e orientação sexual não são a mesma coisa. 

*explicando a  heteronormatividade: "Numa acepção etimológica da palavra, “hetero” que em Grego quer dizer “diferente” e “norma” que em Latim quer dizer “esquadro”, constituem a formação da palavra heteronormatividade, ou seja, um conjunto de ações, relações e situações praticadas entre pessoas de sexos opostos. Assim, toda uma gana de sexo, sexualidade e identidade de gênero deveriam se esquadrar dentro dos moldes da heteronormatividade, sendo esta a única orientação sexual considerada “normal”. A grande discussão em torno dessa palavra é a limitação que ela impõe aos LGBTTs(Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transex), uma vez que no ceio de sua origem há uma gana de proibições que acabam dando origem a discriminações, preconceitos e, consequentemente homofobia". Fonte: Ser Feliz é Ser Livre - O que é Heteronormatividade?
________________________________________

Começaremos as nossas indicações de hoje com o texto “Lésbicas: invisibilidades e violências”, de Ticiane Figueirêdo, publicado no site Blogueiras Feministas. O texto mostra o assunto tratado no início da postagem: a questão da invisibilidade das mulheres lésbicas na sociedade e no movimento LGBTTT, a partir da data de 29 de Agosto, Dia da Visibilidade Lésbica. Fala também sobre o grave problema do “estupro corretivo”, prática de agressão legitimada pelo discurso heteronormativo de que uma mulher só é lésbica porque não encontrou um homem másculo o suficiente para satisfazê-la. 
________________________________________

Selecionamos também o texto “Lesbianidade uma forma de resistência” de Jully Soares, também publicado no Blogueiras Feministas, que fala sobre os esteriótipos que são constantemente reproduzidos acerca das mulheres lésbicas, sempre associados a ideia de masculinização, e sobre a fetichização de suas relações. É interessante a perspectiva da autora de que quando duas mulheres escolhem se relacionar entre si, sem a presença de homens, elas criam uma forma de resistência ao sistema patriarcal, que tem como uma de suas bases a heteronormatividade das relações e a objetificação das mulheres para servir ao desejo dos homens. Outro ponto levantado pela autora, é que a lesbianidade quebra com a ideia de que mulheres são sempre inimigas, rivais e estão constantemente em competição umas com as outras. Na verdade, a relação homoafetiva entre duas mulheres prova que estas podem se amar, se querer bem, e não viverem em guerras para ganhar a atenção de homem algum.
________________________________________

Além desses dois textos, segue também uma entrevista com Ochy Curiel para IHU On-Line. A entrevistada é uma ativista feminista que escreveu um artigo sobre o caráter político das relações entre mulheres lésbicas “El Lesbianismo Feminista: una propuesta política transformadora”. 
________________________________________


Por fim, nossa indicação de filme hoje: um filme brasileiro (que inclusive passou por dificuldades em busca de patrocínio justamente por sua temática, como mostra a entrevista do diretor Bruno Barreto). O filme em questão é "Flores Raras", de 2012. A trama se passa em 1951, em Nova York e no Rio de Janeiro. A personagem principal é Elizabeth Bishop (Miranda Otto) uma poetisa insegura e tímida, que apenas se sente à vontade ao narrar seus versos para o amigo Robert Lowell (Treat Williams). Em busca de algo que a motive, ela resolve partir para o Rio de Janeiro e passar uns dias na casa de uma colega de faculdade, Mary (Tracy Middendorf), que vive com a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires). A princípio Elizabeth e Lota não se dão bem, mas logo se apaixonam uma pela outra. É o início de um romance acompanhado bem de perto por Mary, já que ela aceita a proposta de Lota para que adotem uma filha.

O filme mostra com leveza a relação amorosa entre mulheres, o companheirismo e a cumplicidade, além das turbulências comuns em qualquer relacionamento. Vale assistir.


________________________________________

"Quando uma mulher escolhe ficar com outra mulher, ela envia uma mensagem de resistência, diferentemente do que o patriarcado diz, do que o sexismo diz, ela não precisa se curvar à suposta superioridade masculina, nem precisa de homem nenhum para viver, para ser feliz ou mesmo para se sentir satisfeita sexualmente." - Jully Soares - Lesbianidade: uma forma de resistência
________________________________________

#SemanadeLutadasMulheres. Comente, compartilhe, faça sugestões, opine, participe.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Recordar: 50 anos do Comício da Central



Em 13 de março e 1964, há exatos 50 anos, o presidente João Goulart discursava para milhares de trabalhadores, políticos, movimentos sociais e autoridades em comício realizado na Central do Brasil, no coração da cidade do Rio de Janeiro, buscando a defesa das reformas de base propostas por seu governo, tão necessárias para o avanço do país. Dentre elas estavam a reforma agrária, a universitária, a tributária e a eleitoral, além de promessas de mais emprego e justiça social aos brasileiros. 

O comício histórico ocorreria apenas duas semanas antes do golpe militar sofrido por Jango, que arruinaria definitivamente o futuro do país, desmantelando totalmente o projeto progressista do governo. 
Evocar esse comício é cumprir um dever histórico e militante,é reviver as memórias da luta contra o imperialismo e contra as elites nacionais e transnacionais. 

Nesse sentido,o CAHIS-UERJ relembra o histórico discurso de Jango, um dos maiores presidentes da história do nosso país, e chama atenção para o quanto ainda  se fazem necessárias as reformas de base no Brasil. 




"Aqui estão os meus amigos trabalhadores vencendo uma campanha de terror ideológico e sabotagem cuidadosamente organizada para impedir a realização deste memorável encontro entre o povo e o seu presidente." João Goulart, Comício da Central , 1964.

#SemanadeLutadasMulheres - Mulheres Trans*

Foto de Capa: Mulheres trans* saem as ruas. Fonte: Dois Terços

Quinto dia da #SemanadeLutadasMulheres do CAHIS. Hoje, um dos temas mais polêmicos, infelizmente, em toda a nossa sociedade: as mulheres trans* e o transfeminismo.

Vivemos em uma sociedade em que as pessoas trans** são explicitamente abominadas e mecanicamente marginalizadas de todos os círculos sociais (inclusive a academia), sempre reduzidas à estigmas e generalizações preconceituosas. É necessário um exercício diário, especialmente de nós, pessoas cisgênero**, para desconstruir e destruir qualquer tipo de opressão e cerceamento de direitos a esses grupos historicamente oprimidos. Precisamos reconhecer e refutar os privilégios que nos são automaticamente concedidos e incentivar os símbolos propagadores de uma visibilidade trans*, para que, juntxs, consigamos desfazer toda a cisnormalidade imposta. 

*Na linguagem escrita, usa-se asterisco após a palavra “trans” porque trans pode se referir a mais de um tipo de identidade (transexual, transgênero, travesti). Para evitar ser excludente com alguma dessas identidades, usamos o que é considerado “termo guarda-chuva”, trans*, que acolhe todas essas pessoas. 

**cisgênero é toda identidade de gênero que está em consonância com o universo simbólico (aparência física, conduta psicossocial) atribuído ao sexo com o qual a pessoa nasceu. Exemplo: pessoa que nasceu com características biológicas de mulher e se identifica como “mulher”. 

Obs: Os artigos definidores de gênero são substituídos nos textos pela letra "x" não só para equalizar os gêneros, mas porque existem pessoas que não se identificam com a concepção binária de gênero (homem cis/mulher cis), e essa é uma pequena forma de incluí-lxs na linguagem escrita. Por vezes, especialmente quando referente à pessoa trans*, mantém-se o artigo, com o objetivo de reforçar que a identidade de gênero escolhida pela pessoa cabe só e somente só a essx indivíduo, e não é o julgamento da sociedade ou uma marca biológica que define se determinada pessoa é ou não homem/mulher.

Para entender melhor este tema, separamos alguns materiais importantes para levantar o debate. 
________________________________________

Ser uma mulher trans* - Nesse breve relato feito por Andi Moreira, engenheira e mestranda em educação, publicado na página Blogueiras Feministas ela narra um pouco das dificuldades diárias de ser uma mulher trans*, e, indo além, sugere como a representatividade desse grupo social deve ser feita, de forma a não reforçar ou criar ainda mais preconceitos relacionados à elxs.
________________________________________

Outra publicação, dessa vez feita no blog Feminismo Sem Demagogia,  foi o artigo intitulado "O feminismo precisa das mulheres trans*". Neste texto de Mariana Luppi, apresenta-se a necessidade da interseccionalidade no movimento feminista (temática que já abordamos na #SemanadeLutadasMulheres, do terceiro dia), urgindo pela inclusão e pela soma de forças que mulheres trans*, negras, indígenas e de todos os outros grupos têm a oferecer e se beneficiar. Afinal, todas as opressões se sustentam. Não nos interessa um mundo não-capitalista e machista, assim como não estaremos satisfeitxs com uma sociedade em que haja equidade de gênero e a exploração entre classes se faça presente.
________________________________________

Indicamos também uma excelente matéria do IGay a respeito de João W. Nery, escritor, psicólogo e primeiro trans* homem a passar por cirurgia no Brasil, ele cunha a excelente frase: “não é o pênis que te faz sentir masculino. Dizer que você é homem, homossexual ou transexual não quer dizer absolutamente nada”. Um dos mais ativos militantes pela visibilidade trans* no país, Nery será convidado do CAHIS-UERJ em nossa Calourada de 2014, integrando a mesa que discorrerá sobre Historiografia de gênero.
________________________________________

Outra entrevista interessante: a cantora e líder da banda Against Me!, Laura Jane Grace, nasceu Tom Gabel, e nessa matéria da Rolling Stone ela fala sobre como é ser mulher trans*, mãe, companheira e exemplo para muita gente através de sua música.
________________________________________

E dando início as nossas indicações de vídeos, começamos com um vídeo da banda da Laura Jane Grace, Against Me!, tocando  a canção “Transgender Dysphoria Blues” ao vivo.


________________________________________

Outra indicação: o filme “Meninos não choram” (Boys Don’t Cry), de 1999. O mesmo aborda a questão da transexualidade e é baseado na história real de Brandon Teena. O protagonista assume a identidade de homem e isso gera uma onda crescente de violência na pequena cidade que serve de cenário para a história, chegando ao absurdo de um estupro corretivo. Hilary Swank levou o Oscar de melhor atriz, por sua atuação na pele de Brandon.


 ________________________________________
"Precisamos das mulheres trans, em primeiro lugar, porque precisamos das mulheres em geral, de cada uma delas, com suas experiências e diversidade. Mas não só isso, precisamos das mulheres trans para nunca esquecermos que ser mulher não é uma identidade definida positivamente, ou características definidas que nos igualam. Na nossa sociedade em geral ser mulher significa antes de tudo que somos oprimidas diariamente pelo machismo." - Mariana Luppi em "O feminismo precisa das mulheres trans*"
________________________________________

#SemanadeLutadasMulheres. Comente, compartilhe, faça sugestões, opine, participe.

terça-feira, 11 de março de 2014

#SemanadeLutadasMulheres - Mulheres Originárias: Mulheres Indígenas

Foto de capa: Foto de Marcos Vergueiro/ GEMT - Fonte: Fotos públicas
Quarto dia da #SemanadeLutadasMulheres do CAHIS. Hoje abriremos mais um espaço para falar sobre mulheres que são ainda mais excluídas de tantas pautas: as mulheres indígenas.

Buscamos, com isso, desconstruir os esteriótipos racistas e machistas que são constantemente reforçados através do senso comum e da exploração capitalista sobre elas, bem como ampliar a discussão para mostrar a atuação dessas mulheres dentro de sua própria comunidade, reivindicando direitos indígenas e fortalecendo a luta pela demarcação de terras, condições de saúde, trabalho, entre outras inúmeras demandas.

Pretendemos mostrar que a questão indígena vai muito além do que sabemos pelo senso comum e pela imagem folclórica pintada constantemente pela mídia, e que inclusive, descaracteriza a luta indígena no próprio "Dia do Índio".

Para realizar essas análises, separamos alguns textos e alguns vídeos.

________________________________________

O primeiro texto é de autoria de Bia Cardoso publicado na página Blogueiras Feministas. No artigo, intitulado "Dia Internacional da Mulher Indígena", a autora explica o porque da escolha da data de 5 de setembro como Dia Internacional da Mulher Indígena, homenagem referente à morte de Bartolina Sisa, durante a rebelião anticolonial de Túpaj Katari, no Alto Peru. Bia destaca a importância das mulheres indígenas em suas sociedades, tanto no âmbito econômico, quanto no social e político. Além disso, ressalta o problema da imagem caricata e da apropriação cultural que é constantemente feita em relação aos povos indígenas.
________________________________________

O segundo texto é de Alejandra Aguilar Pinto. O artigo, intitulado "Reinventando o Feminismo: as mulheres indígenas e suas demandas de gênero", apresenta uma análise da questão indígena através da perspectiva de gênero e etnia, e de que modo os setores femininos dentro do movimento indígena vem sendo desenvolvidos através de suas próprias práticas político-culturais e do apoio de organizações de terceiro setor e da sociedade civil. Estabelecendo uma crítica ao feminismo “oficial”, em relação à prática de uma espécie de “colonialismo discursivo” ao introduzir às mulheres do Terceiro Mundo às demais localidades
________________________________________

Destacamos também uma reportagem da BBC Brasil, publicada no site Amazônia.org, que mostra um grupo de mulheres indígenas que decidiu levantar, dentro de suas aldeias no Acre, algumas pautas do movimento feminista. Isso por sentirem uma necessidade de representação de suas particularidades dentro do feminismo, de criar uma forma de luta que contemplasse às mulheres indígenas de acordo com suas necessidades, e não sob a perspectivas de mulheres brancas. Uma lição de empoderamento e voz para todxs.
________________________________________

Além dos textos e da reportagem, indicamos alguns vídeos:

Encontro de Mulheres Indígenas da Bahia - Partes 1 e 2 - Os dois vídeos são o registro de um encontro realizado na Bahia entre mulheres indígenas de diversas etnias e regiões. Depois de reuniões conjuntas, essas mulheres perceberam o quão importante era construir um espaço de convivência feminino para apresentar suas pautas específicas e suas vivências como mulheres indígenas. 



E para ilustrar um pouco a situação das mulheres indígenas fora do Brasil, mais precisamente em outras nações da América Latina, dois vídeos sobre a situação na Colômbia e no Peru, respectivamente:



    

________________________________________
“As mulheres indígenas são as mais gravemente afetadas pelo modelo de desenvolvimento econômico imposto no Brasil. São elas que sofrem de forma mais contundente os impactos provocados sobre o meio ambiente. Quando os indígenas perdem acesso aos recursos ambientais que garantem sua segurança e soberania alimentar, são as mulheres as mais penalizadas, pois geralmente são elas as responsáveis por cuidar da alimentação. Essa é uma característica comum a muitas comunidades tradicionais. Também são elas as mais impactadas pelas grandes obras que perturbam o modo de vida de suas comunidades.” Referência: 2011: Mayara Melo na obra Mulheres indígenas – violência, opressão e resistência
#SemanadeLutadasMulheres. Comente, compartilhe, faça sugestões, opine, participe.

segunda-feira, 10 de março de 2014

#SemanadeLutadasMulheres - Enegrecer o Feminismo

Foto de capa: Marsha Hunt, por Patrick Lichfield, 1969 - Fonte; Gravura "Marcara de Ferro", de Jacques Arago, em alusão a escrava Anastacia - Fonte; Gravura Dandara - Fonte; Kathleen Cleaver falando no "Black Panther Rally" - Fonte.

Terceiro dia da #SemanadasdeLutadasMulheres do CAHIS. Hoje vamos iniciar a nossa discussão sobre Feminismo intersecional, indicando materiais a respeito do Feminismo Negro.

Mas antes de tudo, o que é Feminismo intersecional e por que ele é tão importante?

Bom, segundo o dicionário:
E, segundo a Wikipedia:

É o estudo das interseções entre grupos desprivilegiados diferentes ou grupos de minorias; especificamente, é o estudo das interações dos vários sistemas de opressão ou discriminação.

Esse conceito foi criado em 1989 por Kimberle Crenshaw, uma professora de Direito da Universidade da Califórnia (UCLA) e da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos que também é uma grande ativista do feminismo e dos direitos-civis. No artigo "A Intersecionalidade na Discriminação de Raça e Gênero", Kimberle questiona a visão tradicional de discriminação sugerida pelos Direitos Humanos, sobretudo de raça e gênero. Segundo a autora, essa visão tende a considerar categorias diferentes de pessoas, em separado: "A visão tradicional afirma: a discriminação de gênero diz respeito às mulheres e a racial diz respeito à raça e à etnicidade. Assim como a discriminação de classe diz respeito apenas a pessoas pobres". A intersecionalidade seria, portanto, uma forma de levar em consideração a sobreposição desses grupos e não sua distinção. 


Mais tarde esse conceito seria levado a abranger novas características e discriminações. E o feminismo intersecional quer dizer então que, para mulheres que sofrem opressões provenientes de diferentes grupos e categorias tradicionais, é impossível separar as experiencias sofridas. É importante que o feminismo se abra para todas as experiências, atentando e protegendo igualmente a todas as mulheres:
A intersecionalidade oferece uma oportunidade de fazermos com que todas as nossas políticas e práticas sejam, efetivamente, inclusivas e produtivas. - Kimberle Crenshaw
________________________________________

Dito isso, podemos discutir então a importância do Feminismo Negro e suas especificidades. Mas, se Feminismo fala sobre igualdade, por que um feminismo negro? É a partir dessa pergunta que a blogueira Mara Gomes, que faz parte da página Blogueiras Negras, inicia seu artigo intitulado "Por que um feminismo negro?". Vale a pena a leitura!
________________________________________

A partir do livro organizado e escrito por Jurema Werneck, intitulado "Mulheres Negras: um Olhar sobre as Lutas Sociais e as Políticas Públicas no Brasil", e do artigo de Sueli Carneiro, "Enegrecer o Feminismo: a situação da mulher negra na América Latina apartir de uma perspectiva de gênero", a blogueira Bárbara Araújo deu sua colaboração para a discussão sobre o Feminismo negro no artigo "'Enegrecer o feminismo': movimentos de mulheres negras no Brasil", também explicando sobre intersecionalidade.

________________________________________

Por fim, algumas indicações de filmes para refletir sobre a questão da intercecionalidade e do feminismo negro.

A Cor Púrpura (The Color Purple) - 1985

O drama, dirigido por Steven Spilberg e indicado a 11 Oscars, foi baseado em um livro de mesmo nome, escrito por Alice Walker em 1982. Celie (Whoopi Goldberg) é mulher e negra, no início no século XX, vivendo numa área rural dos Estados Unidos. É violentada pelo pai aos 14 anos, tem dois filhos, fica estéril, é separada da irmã que amava e forçada a casar-se com um homem que não ama, que a maltrata, tratando-a mais como uma escrava do que como esposa. O marido nutre uma paixão não tão correspondida por Shug Avery (Margaret Avery), uma cantora de Blues e descarrega toda sua frustração em Celie. Celie então escreve cartas, para desfazer-se da solidão e do sofrimento que a cercam. Mal consegue falar, anda de cabeça baixa. Conforme a trama de desenrola, Celie vai conhecendo as mulheres que vivem ao seu redor, se apaixona por Shug e, através da convivência e da sororidade, passa a entender todo o sofrimento que passou durante toda sua vida, levanta a cabeça e passa então a ver o mundo sob outras luzes.


Preciosa (Precious) - 2009

Também baseado em um livro ("Push", escrito por Sapphire em 1996), o filme de Lee Daniels, indicado a 5 Oscars, vencendo 2 deles, se passa em Nova York, no fim da década de 80, no bairro do Harlem, um bairro majoritariamente negro e pobre. Claireece Precious Jones (Gabourey Sidibe) tem 16 anos, é negra, obesa e pobre. Violentada pelo pai e abusada pela mãe, engravida duas vezes. A primeira filha, apelidada de "Mongo" por ser portadora de síndrome de Down, permanece sob os cuidados da avó. Ao engravidar pela segunda vez, Preciosa é suspensa da escola e é levada a outra instituição, onde encontra outras meninas em situações semelhantes a sua, onde também passa a se refugiar da realidade através da imaginação. Cria uma nova vida, um novo mundo, uma nova realidade. Com ajuda da professora Sra. Blu Rain (Paula Patton), Preciosa passa a exteriorizar seus sentimentos, na tentativa de amenizar alguns de seus traumas.


De fato, as lutas das mulheres negras por equidade se desenvolve ao longo dos séculos e devemos reconhecer que têm sido parte fundamental dos amplos segmentos que constroem cotidianamente o Brasil como nação. Ainda que violentamente invisibilizadas – pois atuam num contexto de racismo e sexismo – colocam à disposição da sociedade séculos de lutas, de pensamento a serviço da ação transformadora. Em seu horizonte, uma sociedade sem iniquidades, sem racismo, sexismo, sem as desigualdades de classe social, de orientação sexual, de geração ou de condição física e mental, entre muitas outras. - Apresentação do livro "Mulheres Negras: um Olhar sobre as Lutas Sociais e as Políticas Públicas no Brasil"

#SemanadeLutadasMulheres. Comente, compartilhe, faça sugestões, opine, participe.  

domingo, 9 de março de 2014

#SemanadeLutadasMulheres - Feminismo pra quê?

Foto de capa: Graffiti feito pela Equipe de Graffiteiras da Intervenção Pelo Fim da Violência contra as Mulheres Barra Funda/SP - Fonte: GRIF Maçãs Podres
Uma das perguntas que aqueles que defendem o Feminismo escutam mais frequentemente é: Feminismo pra que? Baseadas nessa pergunta, separamos alguns materiais interessantes sobre o assunto.

_______________________________________

"De todos os assassinatos cometidos contra mulheres, 42% têm como criminoso o ex-parceiro. A situação é tão grave que o crime tem até um nome para chamar de seu: "feminicídio", o assassinato evitável de mulheres por razões de gênero. Essa mulher (e você também) precisa do feminismo. Um dia ela não vai precisar mais. Um dia."
Esse trecho foi retirado de um artigo das escritoras Clara Averbuck e Nádia Lapa intitulado "Afinal, feminismo pra quê?", publicado pelo site da revista Carta Capital em 25/06/2013. Baseadas nessa pergunta tão recorrente, elas fizeram esse texto e essa mesma pergunta virou o nome da coluna delas na revista (http://www.cartacapital.com.br/blogs/feminismo-pra-que/). Fica aí então nossa primeira indicação de leitura da #SemanadeLutadasMulheres. Vale a pena dar uma olhada!

_______________________________________

Além dessa pergunta, muitas outras são feitas o tempo todo. Pensando em responde-las, a Aline Valek criou o "FAQ Feminista", ou seja, as respostas para as "perguntas mais frequentes" feitas as feministas, de maneira bem engraçada até. Mais uma indicação de leitura. 

_______________________________________

Sobre esse mesmo assunto, a necessidade do Feminismo, "por que ser feminista?" e "o que é o Feminismo?", indicamos também um vídeo:


O vídeo chamado "We should all be feminists" (em português "Todos nós deveríamos ser feministas"), apresenta uma pequena palestra feita pela escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, realizada no TEDx Talks.  Infelizmente o vídeo só possui legendas em inglês. 

_______________________________________

Essas são as nossas indicações de hoje para iniciarmos as discussões da #SemanadeLutadasMulheres. Comente, compartilhe, faça sugestões, opine, participe. 

sábado, 8 de março de 2014

#SemanadeLutadasMulheres - Apresentação



“Semana de Luta das Mulheres” do CAHIS
De 8 a 14 de março de 2014

O dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é um dia de luta. Não deveria ser mais uma das tantas datas comerciais presentes no nosso calendário, onde achamos que o objetivo é apenas agradar de forma material as mulheres as quais fazem parte das nossas vidas e que nós tanto admiramos. Esse dia simboliza a luta incessante das mulheres por direitos, por igualdade de oportunidades e condições de vida, saúde, estudo e emprego. Hoje é um dia importante para lembrar a difícil jornada que nós, mulheres, realizamos desde o momento em que somos identificadas como tal. Importante para lembrar que ainda há muita coisa errada, muita coisa a ser modificada, muitos preconceitos e estereótipos a serem desconstruídos.

Um dia importante para lembrar que muitas conquistas foram sim alcançadas: mulheres podem votar, mulheres estão inseridas no mercado de trabalho, mulheres podem lutar por sua independência financeira, mulheres podem escolher entre serem mães ou não, podem escolher casarem ou não. No entanto, todas as mulheres tem essas liberdades? Ou essas liberdades são a realidade de apenas algumas mulheres? Até que ponto essas escolhas podem ser feitas? Que tipo de julgamento recai sobre as mulheres quando as realizam?

Uma data que é importante para lembrar que ainda hoje muitas meninas são obrigadas a casarem jovens, contra sua vontade, sem seu consentimento e escolha. Importante para lembrar que muitas mulheres ainda são espancadas por seus pais, maridos, tios, irmãos, namorados. Que muitas mulheres ainda são assediadas ao andarem o caminho de casa para o trabalho, para a escola, para a faculdade. Muitas mulheres ainda realizam jornada tripla ao serem mães, donas de casa e ao trabalharem fora. Muitas mulheres são estupradas nas ruas, nas baladas, e dentro de seu próprio lar.

Ainda hoje, no Brasil, mulheres são presas por realizarem abortos, não tem direito de escolha e poder de decisão sobre seus próprios corpos. Mulheres morrem por não terem acesso à prática segura e pública do aborto. Mulheres engravidam ainda muito novas e ainda na infância ou na adolescência se deparam com a responsabilidade de criar e educar outro indivíduo que está na praticamente mesma fase que ela.

Ainda hoje mulheres são silenciadas em todos os espaços, ainda hoje mulheres são objetificadas nos meios de comunicação, em propagandas de cerveja, lingerie, carros, entre outros. Ainda hoje mulheres são equiparadas a mercadorias dispostas numa prateleira para o desfrute dos homens. Ainda hoje vivemos numa cultura que prefere julgar, condenar, humilhar e “apedrejar” uma mulher que é estuprada, uma mulher que vive sua sexualidade de forma “livre”, uma mulher que escolhe vestir-se da maneira que mais lhe agrada. A mulher é agredida, tem sua individualidade e privacidade violada por homens sob a justificativa de que sua “natureza” e “instinto masculino” o compeliu a tal ato de agressão.

Ainda hoje mulheres negras são excluídas de todos os meios, tem sua representatividade reduzida a entretenimento em épocas festivas. Ainda hoje mulheres negras são associadas a promiscuidade, falta de higiene, ainda hoje seus cabelos são classificados como algo de “má qualidade”, ainda hoje são tratadas como objetos descartáveis à disposição de homens.

Ainda hoje mulheres trans* têm sua identidade de gênero questionada, desrespeitada, rechaçada e satirizada pela mídia e pela sociedade. Ainda hoje mulheres lésbicas são tratadas como fetiche sexual a serviço dos homens. Ainda hoje, essas mesmas mulheres sofrem com a prática absurda do “estupro corretivo”.

Ainda hoje mulheres gordas são vítimas de piadas, tratadas como seres repulsivos, horrendos que jamais serão felizes por não agradarem homens e serem “escolhidas” como suas namoradas, a serem apresentadas como uma espécie de troféu para os amigos e para a família. Ainda hoje mulheres são vistas dessa forma: como troféus a serem exibidos.

Ainda hoje meninas são ensinadas a corresponderem aos padrões de gênero que determinam que a mulher deve ser delicada, frágil, fútil, submissa, deve cuidar da casa, deve comportar-se como uma “dama”, deve agir sempre buscando aprovação e olhares masculinos, deve estar em constante competição com outras mulheres, são estimuladas a colocar-se numa posição de rivalidade com outras meninas, à julgá-las, à condená-las por resistirem aos padrões comportamentais e estéticos impostos. Muitas vezes sem se darem conta de que toda essa opressão que reproduzem contra outras mulheres são reproduzidas também contra elas mesmas. São inúmeras as formas de opressão que, ainda hoje, recaem sobre todas nós, mulheres. Opressões diferentes, mas todas nocivas, violentas e cruéis. E ainda hoje muitas pessoas não conseguem enxerga-las.

E é por isso que hoje, dia 8 de março de 2014, Dia Internacional da Mulher, não é, para nós, mulheres do CAHIS-UERJ, um dia de receber presentes e congratulações, mas sim um dia de luta. Um dia sim, para lembrar tudo o que já conquistamos, mas mais ainda, lembrar de tudo o que ainda temos a conquistar.

Um dia para lembrarmos que unidas somos mais fortes e que se mexer com uma mexeu com todas. Um dia para espalharmos sororidade, essa solidariedade entre mulheres tão necessária e tão resistente à uma sociedade que apenas nos estimula a lutar umas contra as outras para tomar nossos próprios espaços e marginalizar nossas próprias irmãs.  Um dia para lembrarmos que o feminismo deve ser intersecional, deve abranger todas as diferentes mulheres, deve unir todas essas mulheres tão plurais e tão únicas que tem uma força enorme que precisa ser descoberta e redescoberta todos os dias.  

Sendo assim, nós, mulheres do CAHIS-UERJ, damos abertura a “Semana de Lutas das Mulheres” nas nossas mídias sociais. De hoje, dia 8 de março, até o dia 14, dividiremos todo material que nos faz pensar no “ser mulher”, das mais variadas formas possíveis, com toda a pluralidade já citada. Vídeos, filmes, textos. Tudo compartilhado em prol da nossa libertação. Uma semana para empoderar todas e lembrar que, como disse Audre Lorde: 

"Eu não serei livre enquanto houver mulheres que não são, mesmo que suas algemas sejam muito diferentes das minhas.".

quinta-feira, 6 de março de 2014

Opinião: Sobre a Ucrânia


Nos últimos três meses a grande mídia vem noticiando arduamente os protestos populares que estão acontecendo na Ucrânia. É noticiado que milhares estão nas ruas lutando contra a corrupção do governo, seus desmandos, a influência russa no país e o mais importante: a recusa do governo ucraniano em entrar para a União Europeia. Nas últimas semanas os protestos se intensificaram, os manifestantes ocuparam diversos prédios públicos e a Praça da Independência, no centro de Kiev. Nessa ultima semana chegou ao ponto de montarem barricadas e enfrentarem a polícia ucraniana, com o saldo de mais 40 mortos.

Os “principais lideres” das “mobilizações populares” até então, são Viktor Juscenko do partido Bloco Nossa Ucrânia/ Autodefesa popular e Julia Tymosenko do Partido da Pátria/Bloco Eleitoral. Tudo começou depois que o presidente Viktor Jankovic anunciou em rede nacional que as negociações com a UE haviam terminado, portanto postergando a entrada da Ucrânia no bloco.

Foram semanas de protestos, chegando ao ponto de ter mais de 200 mil pessoas concentradas na praça da independência para protestar contra o presidente e o primeiro ministro e exigindo a entrada do país na UE. Então, eis a pergunta: qual seria o por que dessas manifestações? Uma vez que grande parte dos países da U.E estão em crise há mais de três anos e muitos, hoje, já discutem se é vantajoso continuar no bloco, como Portugal e Grécia, além da crescente influência alemã nos rumos da U.E. Por que então a Ucrânia deveria entrar?

É fato que a grande mídia burguesa ucraniana e a oposição convenceram parte da população, principalmente a juventude, de que a entrada na U.E era a porta para o mundo dos sonhos: emprego, consumo, passaporte para países da Europa ocidental etc. É fato também que a situação econômica ucraniana é extremamente problemática, pra se ter uma ideia, o salário mínimo na Ucrânia é um dos menores na Europa, fica atrás do da Rússia e da Bielorrússia, principais parceiros comerciais, o que levaria grande parte da população a acreditar na cantilena do “mundo das maravilhas” da UE e ir para as ruas. Existe um fato curioso nesse processo: a maioria da população que está nos protestos é advinda da região Oeste da Ucrânia, região que “se sente” mais europeia e é radicalmente contra a Rússia.

Todavia o mais curioso nesse processo é a “visita espontânea” de dois senadores norte americanos John McCain e Chris Murphy a Ucrânia, no ápice das manifestações. Por que será? Outro fato curioso é a relação do partido de Julia Tymosenko com a ONG norte-americana “Freedom House”, e para piorar a situação, Tymosenko atualmente está presa por fraude na receita pública. Já é claro também, a participação de neonazistas nos protestos ucranianos. O partido Svoboda concentra a maioria deles, em geral são os grandes causadores de violência e desordem. Na atual conjuntura eles estão servindo de vanguarda nos protestos contra o governo, são racistas, xenófobos e advém de apoiadores da invasão nazista a Ucrânia na II Guerra Mundial. Pra se ter uma ideia, no início de fevereiro, o partido organizou uma marcha com cerca de 15 mil pessoas com tochas de fogo na mão, marchando pela cidade de Lviv em memória do líder fascista ucraniano Stepan Bandera.

Como é sabido, a Ucrânia fica numa região estratégica, bem perto do Cáucaso, região rica em petróleo, possui um dos maiores exércitos da Europa; o país possui 12 usinas nucleares, é atravessado por tubulações de gases russos para abastecer os países da Europa Ocidental. A Ucrânia é um dos países do mundo que mais tem terras férteis, o que geraria milhões de grãos para abastecer a Europa. Para completar a situação, a Rússia possui diversos investimentos na Ucrânia, mas também a base naval militar de Sebastopol (cidade litorânea voltada para o mar negro). 

De certa maneira fica evidente o interesse norte-americano e da Alemanha, na forma da UE, na região; ter controle da Ucrânia é ter controle da entrada e saída de gás natural para Europa Ocidental, confrontar o poder russo na região, ter controle da base de Sebastopol no mar negro, influenciar no Cáucaso e controlar umas das regiões mais férteis do mundo. Por isso incitam a oposição direitista e pró-americana na Ucrânia e se aproveitam situação econômica e da população, principalmente o partido fascista Svoboda. Isso fica claro, como foi mostrado acima, com a “visita espontânea” dos senadores norte-americanos e o total apoio que esse país dá aos “manifestantes”. Não que a Rússia seja um exemplo de cooperação e de amizade. Os russos também tem lá seus interesses e negócios na Ucrânia, talvez os mesmos que os Europeus e Norte Americanos.

No final de tudo quem mais sofre é o povo ucraniano, usado como massa de manobra para os interesses espúrios de duas potências mundiais e por grupos de extrema direita neonazistas. 

A partir destas analises, o CAHIS entende que é preciso que o povo ucraniano se conscientize e lute por seus direitos e sua emancipação, tanto contra o Estado repressor pró Rússia, tanto quando os direitistas entreguistas pró EUA e mais ainda contra a besta neonazista do Svoboda.